<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014</id><updated>2011-11-27T21:47:23.371-02:00</updated><title type='text'>camera subjetiva</title><subtitle type='html'>Pois cada palavra tem mil lugares. E isto, a cada dia que passa, sou eu.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>28</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-9093461940430091209</id><published>2007-09-26T01:01:00.000-03:00</published><updated>2007-09-26T01:17:09.160-03:00</updated><title type='text'>O (des)controle da imagem pública.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_nRXAiA9NNSI/RvnbRfKl07I/AAAAAAAAAA0/twYXC6C5B8Y/s1600-h/domino+dancing.jpg"&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/_nRXAiA9NNSI/RvnbRfKl07I/AAAAAAAAAA0/twYXC6C5B8Y/s320/domino+dancing.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5114359945326089138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecemos muita gente que deseja mostrar-se bem, aparentar tranqüilidade, representar jovialidade - a função do rosto é muito mais do que um cabide para o nariz, olhos, orelhas, cabelo e boca(bigode, às vezes). Nos trejeitos dos braços uma segurança que dá crédito e que arranca a atenção de uma platéia. Sua figura humana ostenta sensatez e credibilidade. Mas sempre haverá aquele que dirá, ''tá vendo a sobrancelha dele(a)?Parece que apararam com faca de açougueiro''', ou então, '''olha que engraçado, ele(a) manca de uma perna, é o famoso ponto e vírgula''.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes exemplos querem demonstrar a posição frágil do homem diante de um mundo centrado na cultura de massa, na exclusão das minorias e das diferenças culturais. De certa forma, o fenômeno da cultura de massas ajuda o pesquisador de comunicação, pois, ao trafegar por entre grupos de receptores,   compreende que na consciência de um coletivo há uma série de valores, signos e repertórios que se repetem, ou que se revelam bastante semelhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bom comunicador que manca em seu andar, não sendo o Roberto Carlos, será tido como um aleijado que fala bonito - ele não quer ser isto, mas a sociedade assim o quer. O ''rei'' Roberto, ao esconder sua deficiência de seu público age com sabedoria, pois sabe que o modelo de cantor aleijado não é hegemônico no seio de sua sociedade. Nelson Ned, em contrapartida, tendo de conviver com algo impossível de se esconder, é lembrado muito mais por sua condição anã que por seus hits populares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É e diante dessa eterna possibilidade de desconforto, de desencaixe, de inadequação,   que a figura do assessor de imagem faz tanto sucesso no meio artístico. Ele observa a cultura do artista e a transforma em algo aceitável pelas massas. E isto não serve somente para o ser humano. A prática pode ser aplicada a estilos musicais, tendências da moda, estéticas cinematográficas, livros, revistas, jornais, enfim, praticamente tudo que possa ser entendido ou visto como produto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solução para aqueles tantos que não têm condições de tirar dos bolsos alguns caraminguás para pagar um assessor com essa especialidade  é se atentar à mídia, aos meios de comunicação de massa, que trabalham com aquilo que é visto como hegemônico, melhor, superior, aceitável pelo seu público; ou então, sendo um ''Nelson Ned'', que aceite a crueldade ao seu redor como algo inevitável. A condição que lhe é imposta provém de uma força impossível de se conter a curto prazo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E levando em conta o alcance dos meios de comunicação de massa, concluiremos que a fórmula do sucesso está na reprodução de um conteúdo que reafirma os valores da maioria e que por assim dizer segrega uma minoria que não vê com empatia o modelo de cultura apresentado.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É por esta linha discussão que chegamos a origem dos complexos, do bullying nas escolas, dos adjetivos pejorativos como ''baianão'', ''cabeça chata'', ''pobre'', do racismo, do preconceito de gênero e de classe social, dos playboys  e seus carrões, das meninas e suas bolsas Luigi Vitton, do moleque com o mesmo corte de cabelo do Alemão do BBB, da disputa pelo melhor celular, da etiqueta à mostra do Jeans, dos estrangeirismos que nem sempre representam uma evolução lingüística, dos altos índices de audiência das novelas e da falta de fôlego deste que vos escreve, que trouxe à tona nem mesmo uma resma, sequer uma quirela, de como este bolo imenso apelidado de Indústria Cultural    ncomoda as nossas vidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-9093461940430091209?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/9093461940430091209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=9093461940430091209&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/9093461940430091209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/9093461940430091209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2007/09/o-descontrole-da-imagem.html' title='O (des)controle da imagem pública.'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nRXAiA9NNSI/RvnbRfKl07I/AAAAAAAAAA0/twYXC6C5B8Y/s72-c/domino+dancing.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-3634598278828786720</id><published>2007-05-03T18:22:00.000-03:00</published><updated>2007-05-03T18:27:26.077-03:00</updated><title type='text'>Condenado ao tempo contínuo</title><content type='html'>Fraco seria se meu erro crônico&lt;br /&gt;Esfriasse de um jeito anêmico&lt;br /&gt;A voz pariria fragmentos&lt;br /&gt;E meu jeito ingênuo explodoria um verso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero é mais de mil invernos!&lt;br /&gt;E a matemática de teu riso&lt;br /&gt;Um marcapasso precipita o infarto&lt;br /&gt;Contrariando a lógica, do que convém ser fato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respiro prata, acho que é zinco&lt;br /&gt;Acho que falta ôxigenio&lt;br /&gt;Meter o meu nariz no vento&lt;br /&gt;Deu nisso: arrasto o pé pela calçada&lt;br /&gt;E eu vou morrer longe da sala&lt;br /&gt;Nem meus meninos irão ver&lt;br /&gt;- Papai se foi, foi sem querer&lt;br /&gt;Abraça o velho e beija o vidro&lt;br /&gt;Antiradioativo&lt;br /&gt; - o caixão é alugado volta logo&lt;br /&gt;Diz o menino, tamborilando o mogno&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-3634598278828786720?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/3634598278828786720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=3634598278828786720&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/3634598278828786720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/3634598278828786720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2007/05/condenado-ao-tempo-contnuo.html' title='Condenado ao tempo contínuo'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-7125544276162667720</id><published>2007-04-09T00:32:00.000-03:00</published><updated>2007-04-09T00:35:04.572-03:00</updated><title type='text'>crônica nº 08 - Exército de urtigões.</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sempre preferi ficar na condição de espectador diante da vitrine. A festa dos boçais, dos ignorantes acéfalos, do sujeito que se suja por poder, dos industriários descendentes das capitanias, nunca incomodou  esse meu pessimismo incurável. Apesar da descrença nunca  arredei pé da reflexão,   só que agora prefiro me render à conclusão mais primária: tudo vira bosta, ou já se tornou.&lt;br /&gt;Num desses dias de inquietude movida   pela cafeína que fervia no sangue,  resolvi enfiar o pé no vidro e encarar os problemas com a faca nos dentes. Assumi o bandeirão e fui à luta.&lt;br /&gt;Coloquei-me à disposição de um 3º semestre de jornalismo, gente que teve durante o curso aulas de Sociologia, Antropologia, Filosofia, Psicologia, o suficiente  para  reconhecerem a importância da alteridade,   de ser um sujeito ético, da liberdade de expressão, da prudência para o exercício da profissão. Nada  mal e me parece um começo  para quem realmente quer enfrentar diariamente os problemas da comunicação social. &lt;br /&gt;Uma pequena maioria me elegeu naquela quinta-feira, gente inquieta como eu e descontente com as desfeitas causadas pela coordenadoria  do curso . Escolheram  como representante um rapaz sem muitos amigos, reservado  e respeitoso em sua conduta,  teimoso, de humor oscilante e , acima de tudo, obsessivo em qualquer desafio que topa . Puseram à frente de 60 pessoas um sujeito inseguro nos três primeiros minutos de discurso mas que não quis parar de falar após o quarto. E a acústica promovida pela minha fala, meio grave e anasalada, e os argumentos desenhados pelas mãos cheias de gestos,  cerrou minhas sobrancelhas  cheias de pelo.&lt;br /&gt;Toda essa fachada descrita não é personagem -  este sou eu. Talvez,  lá pra frente, isso tudo seja motivo para uma análise junto a algum psicólogo ou coisa que o valha ou talvez de uma cirurgia no septo nasal, para melhorar minha dicção. Assim como o Gugu  fez, aquele do PCC.&lt;br /&gt;Mostrei as propostas, organizei os argumentos,  demonstrei a importância da democracia participativa. Minha consciência, hoje,  não pesa uma bala. Incitei à classe a uma mobilização ética e necessária a favor de nosso bem-estar.&lt;br /&gt;Vigorei na função durante umas três semanas, suficiente para entender que todos já se conformaram com as cartas que estão na mesa. Vi-me em o Povo contra Larry Flint; na pele de Nelson Rodrigues encenando Vestido de Noiva para  os velhinhos do TFP tradição, família e propriedade); me vi apresentando um sambinha com fuzz guitar para a turma da bossa, lá de Ipanema, em 1968. Fiquei 21 dias, mais ou menos, dando crédito às virtudes humanas. Beijei o bonde.&lt;br /&gt;O que ficou de tudo isso é essa capacidade do homem em destruir o desejo alheio por mudança. .A vontade coletiva é se conformar em não ter mais vontade. Esse foi o caso. Acreditei numa multidão de abutres  que só esperavam o primeiro motivo para atacar a carne. Fui destruído em cima do palco.&lt;br /&gt;Mesmo dizendo a eles que a Terra  não girava em torno do Sol  e que tudo o que fiz era bobagem sem tamanho - coisa que não era -, mesmo assim a inquisição aconteceu, pois aí sobraram as birras pessoais como pretexto. Daqui da fogueira tudo me dá nojo e nem Galileu me entenderia.&lt;br /&gt;Criticar negativamente o indivíduo que toma a iniciativa, que vai para o ''risca faca'' em prol de um todo  e que erra por tentar acertar  parece ser mais  vantajoso  que discutir a importância de um trabalho em grupo, cuja tônica deveria ser a colaboração de ambos os lados e não a difamação preconceituosa de um trabalho.  Há uma inversão de valores clara nisso tudo -  todos se sentem bem no estado de sítio,   atiram pedras  naqueles que não concordam em estar na zona de conforto  e  ruminam a calúnia com a facilidade de quem masca um Babaloo.&lt;br /&gt;Pois é, meus amigos e minhas amigas, estou fadado a ser mais um maldito no jornalismo brasileiro. E olha que eu vejo isso de um modo bastante interessante. Como diria Nelson Rodrigues, mais uma vez o cito, ''a estrela está no céu, quem não vê, não vê.Mas ela sempre estará no céu''. Os malditos geralmente têm biografias muito mais interessantes.&lt;br /&gt;Então eu faço o seguinte:  se os hóspedes querem banana, eu ofereço a eles um cacho  A humanidade se revela a cada dia ,   e por mais que tente ser otimista, acabo me deparando sempre com um  grande exército de urtigões da Disney, que matam à carabina qualquer um que se aproxime com boas intenções.  Nem sempre  é um  homem branco oferecendo  espelhinho pro índio,  mas esse complexo de vira-lata (mais uma vez Nelson Rodrigues) que vem lá do descobrimento, ficou  mesmo  arraigado na cultura de muitos brasileiros. E podem ter  certeza,   os industriários herdeiros das capitanias do tempo de Dom Pedro continuam amando muito isso. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-7125544276162667720?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/7125544276162667720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=7125544276162667720&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/7125544276162667720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/7125544276162667720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2007/04/crnica-n-08-exrcito-de-urtiges.html' title='crônica nº 08 - Exército de urtigões.'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-6457718492854675119</id><published>2007-03-24T18:58:00.000-03:00</published><updated>2007-03-24T19:01:26.569-03:00</updated><title type='text'>esfera urbana: curta bobagem</title><content type='html'>Aborto o rasante&lt;br /&gt;Trago à face idéias cinzas&lt;br /&gt;E o voo cai com meu quebranto&lt;br /&gt;Chuto o espanto a frases curtas&lt;br /&gt;Me conforto, deitado, no pé da cama&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trago a faca, faço um sulco&lt;br /&gt;me dói o corte atrás da carne&lt;br /&gt;Acho que fiz um bom disfarce&lt;br /&gt;Ao atar o desatino&lt;br /&gt;E a ousadia com mordaça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serei um velho nessa praça&lt;br /&gt;Com quatro filhos na garagem&lt;br /&gt;Um vira-lata atado e triste&lt;br /&gt;Desanimado amargo e insone&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mesmo amado&lt;br /&gt;Descortinado aberto ao mundo&lt;br /&gt;Sinalizo a cal muro&lt;br /&gt;Que traz pra mim esse conforto&lt;br /&gt;Ou será dor de desgosto?&lt;br /&gt;Sei lá ,já fui tào outro&lt;br /&gt;Desse lado sou anônimo&lt;br /&gt;Endereço, bairro e pronto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-6457718492854675119?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/6457718492854675119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=6457718492854675119&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/6457718492854675119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/6457718492854675119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2007/03/esfera-urbana-curta-bobagem.html' title='esfera urbana: curta bobagem'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-3305368229498285004</id><published>2007-03-08T01:04:00.001-03:00</published><updated>2007-03-08T01:36:03.839-03:00</updated><title type='text'>crônica nº 7 : Oh Suzana!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nRXAiA9NNSI/Re-P83L0sRI/AAAAAAAAAAM/Nv1hfOD7Ryk/s1600-h/foto007.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5039404783819338002" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nRXAiA9NNSI/Re-P83L0sRI/AAAAAAAAAAM/Nv1hfOD7Ryk/s320/foto007.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;''Felicidade não existe. O que existe na vida são momentos felizes"&lt;br /&gt;Boa parte das teorias filosóficas que pude ler até hoje chegam a um lugar-comum. &lt;strong&gt;Aristóteles&lt;/strong&gt; diz, trocando em miúdos, que '' a felicidade é aquilo que você ainda não tem'' - somos todos, então, cachorros correndo atrás de seu próprio rabo, que vez ou outra conseguem mordiscar aquele pedaço longilíneo e distante do pescoço. Aliás, deixo mais para frente a discussão sobre esta frase que inicia o tagarelado.&lt;br /&gt;Aqui no Brasil, esse negócio de busca à felicidade virou legado das ''Suzanas'', pois observe: em meados de 1990, uma tal de Suzana Marcolino casa-se com um velho careca e cheio de dólares chamado Paulo Cesar Farias, tesoureiro do presidente Collor e indiciado por corrupção passiva e falsidade ideológica; no início deste século temos Suzana Werner, loira, bonita, atriz global de sucesso, se engraçando num casamento relâmpago com Ronaldo, um jovem careca, mulherengo, rico e dentuço mas um boleiro nato; mais à frente encontramos no noticiário uma tal de Suzane Richtoffen, fruto da classe média paulistana, que mata os pais em prol de uma paixão proibida e de uma graúda herança; mais pra agora o caso de Suzana Vieira, outra atriz global de sucesso, que perdeu marido que tanto amava . O engraçado é que todas elas tiveram um&lt;em&gt; insight&lt;/em&gt; de felicidade e depois descambaram para o lodo.&lt;br /&gt;Ao longe, devemos ser parecidos a uma roda dentada girando em falso. &lt;strong&gt;Nietzsche &lt;/strong&gt;coloca o conceito da ''vontade de potência'', algo como querer sempre mais para buscar a perfeição - mas ele ao mesmo tempo discute o que é a perfeição e realidade. Afinal, para que estamos aqui, correndo por tudo? E fecha o caixão dizendo que o ser humano é o mal e deveria ser destruído.&lt;br /&gt;Fico pensando nas razões de viver de alguns sujeitos que encaro todos os dias, bravamente. Vêem numa calça da M Officer o motivo para borrar na cara um sorriso. Outros alegram-se quando a folha de pagamento vem mais gorda - uns reais a mais se comparado aos milhões que ele gerou à empresa. Alguns se animam com um fulgor incrivelmente esbelto por atingir a meta do mês. Outros, como eu, prudentes a ponto de apostar no pessimismo, seguem andando sob essa navalha que é a vida.&lt;br /&gt;Palavras são navalhas, como diria &lt;strong&gt;Belchior&lt;/strong&gt;. E quem cria a vida, ou seja, essa realidade que por convenção foi aceita são nossos textos, nossas idéias, nossas atribuições. O jornalista , por exemplo, é um masoquista. Tem como grande mérito adestrar a percepção, Só que ao perceber as coisas de um modo melhor, deve ter também o sangue-frio para escrever a respeito do que vê de modo sóbrio e objetivo. E em muitas ocasiões a realidade da cabeça dele - aquela que ele viu acontecer - não pode ser escrita no veículo de imprensa em que trabalha. Jornalista é, por ofício, um macaco claustrofóbico, encaixotado ou numa gaiola. Ganha o melhor doce e o guarda no bolso.&lt;br /&gt;Voltando a essa história de busca à razão da vida, lembro de meus tempos de cursinho e das visitas diárias nos sebos do centro de Osasco. Por meio de alguns flashes, a lembrança recria um homem de meia-idade, chamado Tadeu, claramente perturbado, que certa vez me abordou na seção de revistas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Você conhece John Nash&lt;em&gt;?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei em Graham Nash, dos &lt;strong&gt;Hollies&lt;/strong&gt;, foi a primeira coisa que me veio à cabeça, mas não era o caso. Esse cara tinha uns olhos arregalados, parecia um louco de pegadinha. Vestia uma roupa simples, um tênis sem cadarço, desses que nossos tios usam para ir à feira , mas não tratava-se de um mendigo. Antes de falar comigo, estava resmungando consigo, ali do meu lado. Então respondo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, quem é ele?&lt;br /&gt;- Ah, então. É que eu gosto dessa coisa de matemática né, Inclusive, eu fui professor de matemática no Estado. É muito difícil, minha cabeça ficava cada vez mais vendo a imagem dele... os alunos me deixavam louco, eu não agüentava mais...tive que ser afastado....aquela teoria que ele mostra na lousa, sabe; que ele coloca assim... [nesse momento ele começa a montar no ar uma equação que eu, como um boçal matemático, jamais poderei compreender]. Então! Aquilo e a lei que explica, entende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei meio atônito, e confesso, com vontade de cair fora de lá. Estava atrasado para a aula, mas decidi ficar um pouco mais. Nas minhas mãos estavam uma série de LPs. Daí, ele emenda todo aquele discurso com outro ensejo, separando bem as sílabas no tempo: :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É d - a - q - u -e - l - e f - i - l - m- e...estou procurando uma revista que na capa tem essa equação...uma superinteressante de 1992&lt;br /&gt;- Poxa, eu acho que eu não vou poder te ajudar...&lt;br /&gt;- Às vezes vem uns flashes, rapaz, parece um clarão na minha frente, e me aparece toda essa fórmula que ele faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era incrível aqueles olhos dele, viam algo que eu não via. Era cômico também, ele sabia ser louco. Aquela idéia de louco que permeava minha imaginação de criança - descabelado, caolho, com olheiras - tendeu a sumir na idade adulta. Hoje em dia, me vem um signo muito mais próximo do triste quando evoco isso no imaginário . Ele, no entanto, se aproximava incrivelmente desse modelo de devaneio guardado na minha infância. Depois de um tempo, ele lá divagando, acabei ganhando segurança. Levei a conversa por bons minutos e entrei na onda dele, tentando ser mais louco que o louco. Depois, o cumprimentei e fui embora. Ele continuou falando, dessa vez sozinho. E eu fui ao cursinho mais feliz do que antes.&lt;br /&gt;Não me lembro de toda a cena. Fazem três anos e minha memória não ajuda muito. Mesmo assim, darei espaço para uma crônica somente a essa história posteriormente.&lt;br /&gt;O que ficou desse caso foram duas coisas: primeiro que fiquei feliz com a experiência, segundo, ele encontrou uma razão de viver, algo que não tinha quando dava aulas . E, muito embora aparentasse loucura, parecia-me muito lúcido ao falar de matemática. Algum tempo depois descobri que o tal do John Nash foi de fato um grande matemático, e que o filme que ele deixava nas reticências era "&lt;strong&gt;O gênio indomável''&lt;/strong&gt;, que ainda não assisti.&lt;br /&gt;É certo falar que após aquele fato inusitado, aquela felicidade de momento, cai numa triste maré depressiva ao não conseguir concretizar minha razão de vida daquele 2004 , que era passar em jornalismo na Cásper Líbero. &lt;strong&gt;Truman Capote&lt;/strong&gt;, em um precioso conto dele, compilado no livro ''música pra camaleões'', diz que toda primeira consulta ao psicanalista conclui que a ansiedade é causada pela depressão. Na segunda análise, paga a peso de ouro, chega a concluir que aquele estado depressivo foi precedido por um momento de ansiedade.Neste caso , isto se encaixa perfeitamente. A ansiedade se misturou com motivação, felicidade (se é que isto existe), otimismo. Ela é capaz  de esconder defeitos e anular a prudência, isto é, uma coisa bem perigosa numa prova de vestibular que decide uma vida em quatro horas.&lt;br /&gt;Darei um tempo para você , leitor, retornar ao primeiro parágrafo. Trata-se de uma frase que conversa justamente com tudo que tentei passar aqui. Escrevi mais de cem linhas para que &lt;strong&gt;Odair José&lt;/strong&gt;, músico popular fadado eternamente ao radinho da sua empregada, resumisse em um refrão. Aliás, dica minha; deixe de lado essa noção musical plantada pelo Fantástico, Silvio Santos e afins. A música que contém essa frase, "a noite mais linda do mundo" , sugere uma discussão vital ao homem civilizado - e melhor: tem um alcance junto às massas que nenhum livro de Filosofia consegue ter. Odair acerta na veia usando poucos versos, demonstra propriedade ao tratar do tema . Algo que certamente você não esperava de um artista popular. Odair já fez ópera-rock, escreveu músicas transgressoras taxadas como brega pelos ditos ''eruditos'', foi exilado do Brasil por ser taxado de ''transgressor à ordem'' nos anos de chumbo da ditadura e recebeu recentemente um tributo da cena musical independente brasileira - e você, ainda crê nos jurados do Raul Gil e na coluna do Álvaro Pereira Junior?&lt;br /&gt;Nem um , nem outro: o que motivou esta crônica foi Odair José, um maldito por excelência.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-3305368229498285004?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/3305368229498285004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=3305368229498285004&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/3305368229498285004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/3305368229498285004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2007/03/crnica-n-oh-suzana.html' title='crônica nº 7 : Oh Suzana!'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nRXAiA9NNSI/Re-P83L0sRI/AAAAAAAAAAM/Nv1hfOD7Ryk/s72-c/foto007.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-8336815052392568483</id><published>2007-02-16T21:05:00.000-02:00</published><updated>2007-02-16T21:18:51.869-02:00</updated><title type='text'>conto nº 1 -  O asfalto segundo Otávio.</title><content type='html'>Situava-se entre o amor e o ódio. Já sentira o catalogo todo: culpa, dó, raiva, medo, inclusive flertou com aqueles sentimentos que somente os facínoras carregam. Boiando neste espaçoso meio-termo, no limiar da cólera mas nem tão longe da compaixão, a cara coalhada de mal elemento seguia adiante rumo à estação.&lt;br /&gt;Neste dia, aquela coisa gostosa que era olhar as mulheres na rua, uma a uma, passando sobressalente à seu ombro, mesmo sendo diva e tal, sequer o comovia. Naquele momento, era um homem de plástico; flácido e frígido. Cafajeste de alma cortada. Sentia-se na pele de uma daquelas senhoras de quintal, lavando bosta com o esguicho, que todo os dias observava em seu caminho para o trabalho&lt;br /&gt;Otávio estava assim, fétido - e não pelo cheiro do colarinho. Era sua mulher, senhorita com quase trinta, que o deixava afetado. E era justamente por isso que ele, cansado até às bocas, desviou de seu caminho para a esperar os vagões do trem.&lt;br /&gt;Era seu meio mais fácil - e perto - para sair do marasmo urbano de cidade média. Vivia numa cidade meio vira-lata, pra lá de chinfrim.&lt;br /&gt;Para ir à grande metrópole, Otávio caminhava alguns passos, suficientes - é certo - para borrar a sola de seus calçados com tudo o que é de mais pútrido - inclusive com a bosta que as senhoras "esguichavam".&lt;br /&gt;Com os pés sujos, o homem carimbou o cimento da escada que dava acesso à estação. Àquela hora do dia - quase seis da tarde, momento de retorno do trabalhador para casa - encararia, fatalmente, a multidão do populacho local. Comprou a passagem, passou a catraca e esperou o trem chegar.A lataria chegava, sempre, apitando num longo decibel. A máquina estampava "FEPASA 1977".&lt;br /&gt;Dali avistava o telhado da casa que morava, e que certamente estaria caso não ocorresse o que se sucedeu. Ficava possesso em cada momento passado, pensando sobre os motivos que o levaram a estar ali. De seu lado, um velho de asas abertas. Folheava um jornal com ânsia. Otávio entendia o grisalho: a novidade que ele buscava era a mesma que ele queria. Estava cansado de tapar o nariz para o ar.&lt;br /&gt;O trem chegou, o moço embarca. A seu lado, logo ali na outra poltrona plástica, um casal entrelaçando-se. Otávio anteviu o futuro deles. Sabia que aquilo não iria tão longe, tão curto quanto à viagem de trem que pretendia.&lt;br /&gt;A primeira viagem de trem foi lá perto dos doze. Antes disso, tinha pouco conhecimento espacial. Sabia que se situava numa cidade à beira da mediocridade. Logo sorriu quando viu o novo. Era cidade mesmo, com cartão postal vidrado nos olhos.&lt;br /&gt;Mas logo descobriu que às idas precedem às voltas. Tavinho, apelido de criança, voltou a seu lar. Casa nos fundos, teto de estuque.&lt;br /&gt;Enquanto a chegada vinha - observador que era - olhava para além da janela do vagão. Aquilo tinha jeito de passado - engraçado como toda beira de trilho não conversa com o presente. Fica lá, parada, esperando o trator demolir. Mas tinha gosto por aquilo. Ao invés de pensar na mulher ingrata, vislumbrava aquilo com uma disposição de quem aguarda um pantanal de beleza no pó da cal dos muros.&lt;br /&gt;Sua mulher, Ana Flávia, o aguardava para ter com ele. Queria uma definição: ou o que ela queria ou acabou-se. Segurava Otávio nas mãos como quem guarda a tampa premiada da Coca. Otávio, liberto, sempre sofreu com isso. Tentou negociar várias vezes, mas ela era irredutível. Queria colocá-lo num aquário e lhe fazer festinha pelo vidro.&lt;br /&gt;Trabalhava num desses largos cheios de gente. Era ali o destino final de Otávio. Ao sair da estação sentia calor. Era verão e o Sol se espreguiçava no chão em pleno fim de tarde, Era um cenário odioso, e ele odiava. Cheirava óleo usado, era um ambiente basicamente sujo. Essa coisa de cimento, ele nunca gostou. Lembrava-se das casas de alvenaria que chegou a morar. Aquela coisa eternamente inacabada o deprimia. Começava ali seu martírio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Preciso ser respeitado, entende?&lt;br /&gt;- Então tá bom&lt;br /&gt;- Não, você jamais me ouviu. Era para isto jamais acontecer.&lt;br /&gt;- Tá bom, Otávio. Faça o que você quiser.&lt;br /&gt;- Você me enche de bronca e se acha a correta. Será que precisamos continuar com isto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria assim, ele sabia desde o primeiro carimbo na pedra da escada. Logo que a viu, cortada pela mágoa de não sei o quê, já imaginava que não haveria razão que criasse equação naquele momento .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então me faça chorar. Vê? Não choro por isto. Não me desespero por bobagem.&lt;br /&gt;- Você acha que tudo isto é bobagem, Otávio, este é o problema.&lt;br /&gt;- Sabe o que eu penso? Tá vendo tudo isso, tão grande? Essa cidade toda, mesmo desse tamanho, não consegue me deixar menos do que solitário, você não percebe isso. E tem mais: percebeu como canto rápido as palavras? Não sei, a cada dia me sinto cada vez mais ansioso. Sinto um nó a todo o momento, aqui, na garganta, sabe?&lt;br /&gt;- Do que você está falando?&lt;br /&gt;- Como aquela à frente. O senhor carregando a banana. Não vê como ele perdeu sua essência neste meio? O meio não o acude. Tem sobras e faltas e ninguém vê. É como você, Ana Flávia. Quando lhe conheci, com quinze anos, era só mais uma menina mimada nas asas do pai. Você sabe que o medo mudou. Nosso medo é outro. Não conhece nem um pouco o marido que tem. Tenho problemas, você não sabe?&lt;br /&gt;- Tenho muitos problemas também, Otávio. Acabei de saber que devo abrir as rédeas para não perder você.&lt;br /&gt;- Quem lhe disse isto?&lt;br /&gt;- Aquela minha amiga que você não gosta.&lt;br /&gt;- E porque a ouve, Flávia? Falo com um muro, toda vez!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flávia, neste momento, larga a calma que a encobria. As pálpebras tremiam, parecia ódio mesmo. Otávio emenda outro argumento. O silêncio que precedeu deixou em ambos uma sensação física de mal-estar.&lt;br /&gt;- Queria que você me ouvisse, Flávia. Tenho muito a lhe falar. Sou discreto às vezes, eu sei. Prefiro guardar e peco por isso.&lt;br /&gt;- Somos dois doentes, Otávio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio a toda essa conversação, o casal se viu por várias vezes acuado pelo grande fluxo de gente que passava por aquela calçada. Era fim de ano, época de festas, e diante daquele conglomerado de comércios de todas as espécies. Otávio e Flávia eram somente dois animais pouco sabidos do que realmente significavam naquele instante. Eram somente carnes ambulantes que atiçavam os desejos dos vendedores de porta. O casal chorava quieto, andava. Abaixaram as cabeças procurando evitar contemplações indesejadas. Eram somente carnes estranhas.&lt;br /&gt;Um rapaz com uma boina enorme - maior que a testa - vem no contrafluxo. Vestia-se como um entregador de pão dos anos 20. Um corpo estranho bem no meio daquela estética. Na dança que é vislumbrar um lugar longe sob o Sol, o casal, e mais ninguém, percebia aquela diferença no cenário. Pois bem; somente o casal os via. Pela primeira vez em todo o percurso, os dois se olharam; se olharam olho no olho. Não deram risada; não era momento de dar risada.&lt;br /&gt;O céu se coloriu em pardo. Quase noite. Viram a praça se encher de velhinhos. Estavam mais amenos, como o vento que batia no prédio e desmanchava o penteado. Sentado à beira do asfalto, ficaram ali, esperando uma novidade para emendar um assunto. Muito embora fosse cidade, o clima era mais de silêncio. Otávio, sentado, cultivava sua maior mania, a de arrumar a camisa. Enquanto que Ana, com as pernas cruzadas, divagava sobre algum assunto, lá em seu íntimo. Dava sinais claros de que queria falar alguma coisa.Abria a boca, bocejava demais. As palavras eram engasgos.&lt;br /&gt;Otávio sabia o quanto Ana era insegura nessas retomadas. Era como se estivesse no purgatório, à espera do juízo final. O veredicto, no caso, era uma palavra que fosse. O silêncio, como disse, deixava meio estática a rapidez que vivia no asfalto.&lt;br /&gt;Nenhum dos dois tinha carro. Andarilhavam mesmo com a modernidade beirando à calçada. A modernidade, que já batia nas canelas há muito tempo pedindo a compra de um carro, não os comovia. Sobretudo a Otávio, pouco materialista, mesmo sendo um freqüentador de shoppings.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A ansiedade é o mal do século&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Otávio vocifera do nada. Busca uma voz serena, menos rouca do que a de costume Pega Ana em algum transe. De certa forma, mesmo não havendo um retorno por parte dela, ele sabia que aquilo a atingia. Parecia, até, que esta frase foi planejada durante todo percurso; como o saco de pipoca se enchendo no microondas, no avançar do segundos que precedem o apito da máquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Veja como nós estamos mais calmas agora. Parece que nada aconteceu e tal. Eu até achei que seria o fim desta vez, mas sabe; acredito ainda que nós iremos nos acertar. Você não acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alfinetada pela pergunta, Ana manteve-se intacta. Olhando em direção a algum ponto do asfalto à frente, sabe-se lá o que tecia. Parecia um ser em si, livre de qualquer desprendimento com a exterioridade. A moça depois de alguns minutos de receio se levanta com autoridade - e ela era linda. Ele ainda sentado levanta as sobrancelhas, meio que espantado com sua beleza de lady. Diante do cenário sujo que estavam, Ana ganhava ainda mais pontos com isso, pois seus cabelos acobreados se destacavam da argamassa cinza, borrada.&lt;br /&gt;Começou a andar no labirinto que era os caminhos formados pelas árvores da praça. Não se mostrava previsível, mesmo Otávio crendo que sim. O rapaz, quase sorrindo, se esgueirava nas coxas das pernas para alcançá-la em um ângulo de visão melhor. Chegou num ponto que, mesmo se esticando não mais a via. Decidiu levantar-se e ir de encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se aproxime e tape os ouvidos!&lt;br /&gt;- Calma, o que acontece?&lt;br /&gt;- Sorri demais para você, escrevi cartinhas, muitas cartinhas.&lt;br /&gt;- Do que você está falando? Ana pare de gritar.&lt;br /&gt;- Anda não vai tapar os ouvidos? Então, irá me escutar, não é isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Otávio, meio sem saber o que se sucedia, assistia ao espetáculo que virou sua vida, do mesmo modo que todos que se aproximavam - com uma diferença básica: ele era um dos protagonistas. Aquilo o enrubesceu. O deixou com a cólera por entre os vales do rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está vendo todos os que se aproximam daqui? Flavio, Eduardo, Augusto, Sérgio, e até aquela moça atrás do Almir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou a declamar os nomes de todos àqueles que, parados, assistiam o bom andar da cena. Apontava para cada um e, pausadamente, deixava correr o nome pelas papilas da língua. Falava continuamente, no mesmo tom e jeito, numa dízima periódica particularmente prazerosa a ela. Por fim, terminou declamação deixando reticências no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Poderia saber o que isto tem a ver com nossos problemas? De onde você tirou esses nomes?&lt;br /&gt;- Pois saiba Otávio que estes homens vieram aqui para saudar você. Sim, foram ver mais um espetáculo de imbecilidade de sua parte. Estavam por ai, a toda hora, retirando tua atenção. São meus homens, de fato - e algumas mulheres também.&lt;br /&gt;- Você me tirou a paz, me fez um boçal para entender as coisas; agora quer me deixar louco, paranóico ou coisa que o valha.&lt;br /&gt;- Eu não trabalho aonde você pensa que eu trabalho, não freqüento os lugares que você pensa que eu freqüento. Não tenho o nome que você pensa que eu tenho; aliás, você nunca se importou mesmo, não é? Você me deu liberdade e eu retribui com libertinagem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do alto tom de voz - quase um comício em plena terça de noitinha - Ana intercalava ódio e ironia, ponderando gargalhadas e gritos em seu breve discurso. Otávio descobrira o que de fato cercava a vida de sua mulher - e de uma forma incrivelmente inusitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mulher da vida, é isso que você é! (após Otávio gritar, todos começam a gritar e falar, outros ensaiam um grito em uníssono ''Lídia, Lídia''.&lt;br /&gt;- Ouviu meu nome, Otávio?&lt;br /&gt;- Eu quero morrer...&lt;br /&gt;- Pois morra, mas se entregue antes ao coro de meus homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do bando que se ajuntou, cerca de 20 homens e 1 mulher, Otávio seguiu diante, levado pela pequena multidão que o empurrava. Não pertencia mais a seu corpo. Ana, que agora é Lídia - que havia subido num banco da praça em certo momento para amplificar o discurso - , desceu dali e se enveredou por uma rua nos arredores que dava acesso a uma pequena porta luminosa no fim do trajeto. Ninguém; nenhum policial sequer apareceu para desmontar a balburdia. Passando, ali, por entre os pedestres pouco atônitos , ia sem declamar destino. Ouvia-se somente ''lídia, Lídia'' em altos decibéis. Enquanto isso, Otávio seguiu quieto, levado pelos braços, como quem vai à masmorra pagar o crime cometido.&lt;br /&gt;O homem que não fez nada de errado; matou-se por si só. Levado primeiro pela multidão de vinte e um. Depois, deixado pelo os que carregavam, caiu na calçada pela inércia, sem maiores resistências. Otávio agonizou sem alma. Dentro daquele ambiente noturno, sob a luz de mercúrio da rua, se repuxou, caiu na sarjeta e se posicionou no meio da rua. Esparramou-se no asfalto.&lt;br /&gt;Colorido pelo negrume do pneu, Otávio morreu logo após a tentativa da freiada. Ficou, ali, às moscas, por alguns dias; afinal, o asfalto não come carne. E de noitinha, ninguém ligou no celular dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dedicado a Nelson Rodrigues.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-8336815052392568483?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/8336815052392568483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=8336815052392568483&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/8336815052392568483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/8336815052392568483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2007/02/conto-n-1-o-asfalto-segundo-otvio.html' title='conto nº 1 -  O asfalto segundo Otávio.'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-116726933221465044</id><published>2006-12-27T23:28:00.000-02:00</published><updated>2006-12-27T23:28:52.253-02:00</updated><title type='text'>bip das sete (antes e depois)</title><content type='html'>Se rompe do ensaio&lt;br /&gt;Se mexe e vai fundo&lt;br /&gt;Enterra o nariz no sofá&lt;br /&gt;Logo depois do bip das sete&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(É esse o  seu jeito&lt;br /&gt;de fazer festinha no desinteresse)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da ducha ao lençol, depois do café&lt;br /&gt;Na fricção do antebraço&lt;br /&gt;Sente o arder de seus ossos&lt;br /&gt;Da ansiedade do porvir que não vem&lt;br /&gt;Sem fatos pra encher triviais&lt;br /&gt;Só pena; pasmo, a solução vacila&lt;br /&gt;Acordado, a pressão surpreende cortando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me equivoco, sou eu que evoco essa espada&lt;br /&gt;Visto a calça, como o embrulho do pão&lt;br /&gt;Encho o espelho, desmonto a espécie de choro&lt;br /&gt;Largo o enguiço, prendo o esforço&lt;br /&gt;Adio o espasmo de verso curto&lt;br /&gt;E vou na calma, que o rosto não quer simular&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-116726933221465044?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/116726933221465044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=116726933221465044&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/116726933221465044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/116726933221465044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/12/bip-das-sete-antes-e-depois.html' title='bip das sete (antes e depois)'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-116563115602999698</id><published>2006-12-09T00:25:00.000-02:00</published><updated>2006-12-09T00:53:05.963-02:00</updated><title type='text'>Encorajamento por culpa e dó</title><content type='html'>Com muita felicidade guardada por trás das palavras, linguarudo que sou, fofoco sobre mim mesmo. Conto que este poema foi premiado no "II concurso literário anõnimos escritores do orkut/2006". O lugar, não me importa. Fui lembrado, lido e pronto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confiram:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.camerasubjetiva.blogspot.com/"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=266647&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Língua ingrata mostrada de frente&lt;br /&gt;É calçada de sombra curta&lt;br /&gt;Cansado vou, rangendo as solas&lt;br /&gt;Provoco as grades:&lt;br /&gt;esmago a palma&lt;br /&gt;No ferro em solda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentido centro&lt;br /&gt;Cai um relance&lt;br /&gt;Desvio a imagem&lt;br /&gt;E de toda calma&lt;br /&gt;O alimento&lt;br /&gt;Renasce a idéia de contratempo&lt;br /&gt;Acaba-se o dia num instante&lt;br /&gt;Com uma média azeda na mão,&lt;br /&gt; eu digo: “camarada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo o fusca passar&lt;br /&gt;A morte acende&lt;br /&gt;a coisa estúpida da alma&lt;br /&gt;Venho aqui, só por estática&lt;br /&gt;Refugo-me inerte,&lt;br /&gt;em “com licenças” solenes&lt;br /&gt;Julgo ser prata&lt;br /&gt;o metal dos olhos&lt;br /&gt;Deduzo  reflexo, sei lá&lt;br /&gt;Então, se corta a corrente&lt;br /&gt;E acabo amargo, &lt;br /&gt;entendendo o átimo&lt;br /&gt;Num desnível de rua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-116563115602999698?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/116563115602999698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=116563115602999698&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/116563115602999698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/116563115602999698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/12/encorajamento-por-culpa-e-d.html' title='Encorajamento por culpa e dó'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-116088842705945968</id><published>2006-10-15T02:00:00.000-03:00</published><updated>2006-11-02T22:55:18.663-03:00</updated><title type='text'>Latrocínio mata a luz</title><content type='html'>O homem pensa que está na casa do por vir&lt;br/&gt;O homem não sabe que mora no canto que já veio&lt;br/&gt;Alguém detém minha pressa&lt;br/&gt;E à custo da veia&lt;br/&gt;Da saliência na testa,&lt;br/&gt;deitada, amarga, que socorre o fluxo&lt;br/&gt;Paga pelo dissabor da frustração&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Vem cá, coloca mais pausa na voz e me explica:&lt;br/&gt;entre mim, o mundo e o atrito, &lt;br/&gt;Algo mais pode esfoliar o espasmo,&lt;br/&gt;Controlar o marasmo?&lt;br/&gt;Desci do muro e a ladeira&lt;br/&gt;Me pressiona a desabar&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E pela dor seguida, constato&lt;br/&gt;Que o remédio não é o comprimido&lt;br/&gt;Sei lá, cairia melhor no pulmão&lt;br/&gt;desacatar a rotina&lt;br/&gt;Gritar, sem estancar a sangria&lt;br/&gt;Pois veja: o ladrilho que vigora&lt;br/&gt;no limiar do olhar, &lt;br/&gt;é estilhaço do corpo frágil&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Deixar pra mais tarde não vinga,&lt;br/&gt;é questão pro momento&lt;br/&gt;Vai, xinga e me dê ao trabalho&lt;br/&gt;Me faz lembrar que o Vesúvio explodiu&lt;br/&gt;Eu dito a instrução, veja meu rosto!&lt;br/&gt;Colore a emoção desse moço&lt;br/&gt;A potência atirou em seu flanco&lt;br/&gt;E a mudança - prepare-se&lt;br/&gt;lhe cairá muito bem, meu belo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;M.N&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-116088842705945968?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/116088842705945968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=116088842705945968&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/116088842705945968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/116088842705945968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/10/latrocnio-mata-luz.html' title='Latrocínio mata a luz'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115898738353987570</id><published>2006-09-23T01:56:00.000-03:00</published><updated>2006-09-27T01:28:13.106-03:00</updated><title type='text'>É preciso dar um jeito , meu amigo</title><content type='html'>&lt;br/&gt;Na sua meia idade de 72, Erasmo Carlos cantou isto num refrão. E eu canto, inconscientemente e  agindo a lançar-me ao erro para à cura. Preciso respirar de novo.&lt;br/&gt;A calma ofegante desses dias espalha estilhaços de mim. &lt;br/&gt;Lá se vai o sereno homem bom. &lt;br/&gt;Como diria o ensaísta  e poeta, Bertold Brecht, ao ser perguntado " No que está a trabalhar?", este disse: estou ocupado, estou a preparar o meu próximo erro".&lt;br/&gt;Estamos, sempre, por mais que a tentativa seja o acerto vindouro, maculados a cair na vala comum do erro. Vida, pantera severa!&lt;br/&gt;Preferi escrever somente alguns aforismos, por ora. Essa coisa de coesão  tá ficando tão cafona... &lt;br/&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115898738353987570?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115898738353987570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115898738353987570&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115898738353987570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115898738353987570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/09/preciso-dar-um-jeito-meu-amigo.html' title='É preciso dar um jeito , meu amigo'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115716918489044838</id><published>2006-09-02T00:50:00.000-03:00</published><updated>2006-09-03T17:18:29.880-03:00</updated><title type='text'>crônica nº6 - homem zíper</title><content type='html'>Estava em pé. Peito em riste e cheio de bocejos - um calhorda. Andarilhava, e por conseguinte,  tostando a sola numa dessas calçadas em mosaico, vadiei um sorriso sob o painel luminoso, bem perto do refluxo da rua larga. Minha luz, a mais opaca, falhava como  contemplação de míope. Ao redor, uma teia de "apês", "puxadinhos", e só. Que vontade de sentir asco!  Osasco brinca de ser metrópole (e brinca de rimar com asco). É isso; e isso é só um pouco da coisa:  tem a ponte,  as  fontes luminosas e  alguns calhordas (sinto que já usei esta palavra antes).  E descrevo isto, esta paisagem, esta sensação, para emoldurar o plano de texto desta ocasião que busca retratar uma certa idéia que tive nestes dias. Trabalho na hipótese - na macha idéia - de tornar-me um zíper.  Leu certo: valer-me por ser agora um adereço que divide e une duas fatias de um tecido. &lt;br /&gt;Preciso da determinação felina de um zíper para vencer essa “briga de gente”. Você que está lendo aí em algum lugar do globo, já experimentou parar para refletir no quanto, na quantidade de tempo que passa ao dia pensando em você mesmo? Muito, e não é blefe. Cada um de nós, cada vez mais, maculamo-nos a ser narcisistas sociais. Novamente, empresto um causo para exemplificar a afirmação: estava na estação Barra Funda, saindo da faculdade com minha garota. E vejam vocês:  segurava um belo tablete do mais puro e tenro chocolate.  Fui andando, mas antes de chegar, uma criança, cinco ou seis de idade. Ela me aborda: tio, me dá um pedaço - respondo:  não tenho dinheiro, desculpa.&lt;br /&gt;Após isto pude ouvir: mas só um pedaço, por favor! - quanto sangue-frio. Não tive compaixão para ouvir o ser humano e dividir meu pedaço de comida; e para piorar, respondi maquinalmente, como se soubesse a intenção do moleque. Fui um zíper social naquele instante, abri caminho na multidão, logicamente, como máquina de zero e um, e sem observar que havia por perto um ser humano feito de matéria igual a minha.  . Fiz o serviço e pronto - mas à pedido de quem?&lt;br /&gt;Esta cena, confesso, provocou uma certa catarse, uma manifestação estranha dentro de mim. Fui um boçal de babar na gravata, um  infame de quatro costados. Fui egoísta como um zíper; tal como um quarterback de futebol americano, abrindo caminho para o touchdown. Não me senti bem, sobrou espaço dentro de mim. Aleluia para quem disser um culpado por este comportamento - desde que esta culpa não se deite em mim.  &lt;br /&gt;Quase todo mundo se queixa do egoísmo nas grandes cidades. E é fato. De uns tempos para cá - estudiosos dizem que a coisa se acentuou a partir dos anos 80 -, o culto à vida sedentária, ao anti-socialismo do capitalismo, à desfragmentação das relações humanas  abriu  um buraco social,  igual à complacência da camada de ozônio. Veja, como aquele "bom dia" de vizinho, o "obrigado" após o favor concedido, até mesmo o "oba", que sacramentava uma relação de afeto entre dois seres humanos está cada vez mais  minguado  na paisagem. &lt;br /&gt;Não digo à toa: a arte imita a vida. A visita numa bienal de arte está cada vez mais intragável. Perceba o non sense das obras que compõem o chamado pós-modernismo? Um vil reflexo de nossa sociedade. Hoje, comum como estralar os dedos é contemplar o vazio inusitado. Se cada vez mais nos voltamos ao nosso " eu contemplativo" , ao egoísmo de zíper, a arte,  logo,  não precisará  mais do consenso de um todo para ser considerada arte. Basta você, humano médio, decidir fazer alguma coisa e tachá-la como arte .  Pronto, o que importa é o artista entender o sentido de sua obra; assim como uma tartaruga entende o sentido de seu casco.  A relevância, bem, esta vem sendo tratada como o "sal a gosto" do tempero.&lt;br /&gt;É pra se constatar analisando tudo isso, como num piscar de alerta de farolete de fusca, que a sociedade caminha sem sentido. Como pode haver sociedade sem sócios, oras! Conseqüência, também, do imediatismo das coisas: tudo é muito, e muito rápido. O tempo de antes - da frase "meu tempo é quando", de Vinícius de Moraes -, sinto, mas não existe mais. O tempo que criava gente paciente, detalhista; o tempo que  criava  minutos à mais até, agora faz de todos uma multidão de ansiosos - e pelo o quê? Hoje, somos parte de um processo, um pedaço de uma coisa sujeito à substituição a qualquer momento - trabalho é isto, é tudo reflete no humano, na relação de um ser com o outro. É inevitável.  É questão de sobrevivência do capitalismo, e isto não é novidade: Karl Marx, o terceiro dos porquinhos da sociologia falou isso muito antes de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115716918489044838?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115716918489044838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115716918489044838&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115716918489044838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115716918489044838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/09/crnica-n6-homem-zper.html' title='crônica nº6 - homem zíper'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115587280341699946</id><published>2006-08-18T00:46:00.000-03:00</published><updated>2006-08-26T17:44:02.000-03:00</updated><title type='text'>crônica nº 5 - o que você fez aos oito e o que será aos oitenta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/1600/velhaco.jpg"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/320/velhaco.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;Todo entendido de América latina, de Belchior a Fidel Castro, sabe o  quanto a Europa colaborou para o enfraquecimento político e econômico do continente. Não falo de embargos, de risco Brasil, nada disso. Vamos ser práticos e pôr a mão na massa. Lá atrás, na época pré-renascentista da história do mundo, como bem sabe, ocorreu um verdadeiro genocídio com os povos que habitavam boa parte deste continente. Lá se foram incas, astecas, enfim, povos cuja sólida formação sociocultural permitiriam uma visão diferente de América nestes tempos de hoje - mas a briga de bala não deixou. Transcendo então, na verdade não foi a Europa a causadora: o poder, que também significa ter um território cercado na aba do cotovelo; sim essa velha premissa do ser humano em impor valor nas coisas desqualificou a qualidade de existir das pessoas e as condicionaram ao tamanho das posses que têm, um vinculo comum a todos que tornou se símbolo de sucesso neste planeta. E a América sempre foi um dos celeiros de exploração preferidos  da Europa. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E dos poucos que tiveram uma revolução guardada nos dentes, gente que quis dar basta a essa desigualdade afinal, menos ainda foram o que souberam pôr o peito em riste a uma multidão de tanques - e entenda este último termo no sentido literal e figurado da palavra. Pois é: Fidel, o velho de barba e charuto, o cubano que pediu uns mísseis à URSS para chamar os EUA na chincha está prestes a ir embora para não mais voltar. Não o defendo muito também: sabemos que o socialismo cubano é na realidade uma grande ditadura, forma de governo que condicionou uma série de devassidões contra os direitos humanos do povo cubano. Mas verdade seja dita, apesar dos hectares de terra estranhamente adquiridos nas cercanias de Havana em seu legado, o velho homem sobreviveu mesmo tendo o planeta ao seu redor sem cooperar. Sim, sem nenhuma ajuda, amigos muitos, o apoio comunista da URSS e só. E a Cuba da esquerda radical brasiliera – sabemos - é bem diferente da realidade. Não é a utopia de Thomas More e ninguém vive das potencialidades que Rosseau pregava. Ora, mas em muitos daqueles carrões que circulam em Havana existem pessoas com saúde e educação de qualidade – pouca coisa, diriam alguns. Com tão poucos recursos ninguém na história do mundo fez tanto. Além de peitar os EUA, Fidel Castro construiu uma base sólida de bem estar social por um bom tempo. Hoje em dia, pedra mole e água dura, o sistema já demonstra caduquices e sinais tórridos das seqüelas do embargo econômico. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mas gosto de elogiá-lo, sabes. O punho do homem nunca se abriu para a vedete capitalista, e é difícil resistir com ternura por tanto tempo. Veja, por exemplo, o quanto é volúvel o brasileiro no trato com o dinheiro; vejo por aí as escolhas profissionais de quem procura uma faculdade que nem sempre se estabelecem numa relação de talento, e quase sempre, visam um futuro acumulo de dinheiro oriundo de boas remunerações que a carreira pode oferecer. Pois eu estou aqui, firme como Fidel, dissertando, ofício este que tenho como o mais precioso dentre os que pude adquirir habilidade. No mercado de trabalho de hoje, pouco se valoriza o jornalista; o tratam como o minério em abundância – ferro, aço: têm muito, há jornalistas em todos os cantos é verdade, são tão úteis quanto a viga da tua casa e pagam pouco, muito pouco por isto. É certo que querem superestimar o diploma de jornalismo; há tempos atrás, lembro, a discussão em pauta era outra: a não obrigatoriedade desse mesmo diploma. E veja agora o que isto se tornou. É como obrigar o velho Fidel, na bacia das almas, a freqüentar aulas de relações internacionais.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Fidel talvez teria sido um boçal desses de babar na gravata se decidisse ir além da sua formação de advogado. Poderia aprender a negociar com quem não se deve negociar, enfiaria o dedo na tomada, abriria uma concessão aqui, outra ali, encurtaria seus discursos quilométricos e explodiria todo o plano revolucionário. Assim como Lula: a cada palavra nova que aprende, se esquece de tantas outras quimeras que um dia sonhou em realizar. E se Evo Morález, um abastado da massa pobre latino americana, de história semelhante à Lula, deu uma aula de soberania ao devolver à Bolívia o rico solo petrolífero explorado pela Petrobrás, muito deveríamos esperar dos jornalistas que nascem todos os dias do ventre da sociedade que precisam do aval da aristocracia acadêmica para terem validado seus talentos. Por que não fazer o mesmo com as vagas ocupadas por gente que precisa de um diploma na mão para justificar a profissão? Toma, ora! Assim como Marcelo Rubens Paiva que pendurou seu bacharelado em jornalismo no banheiro, farei o mesmo ao ocupar o pódio profissional a que julgo ter direito no futuro. Lembro dos doze, treze anos, época que decidi por esta carreira. A coisa nasce com a gente, não adianta: Fidel Castro, ainda com dez anos de idade, enviou uma carta ao presidente Roosevelt pedindo 10 dólares; Nelson Rodrigues, aos oito, ganhou um concurso de redação na classe escrevendo a história de um marido traído. E você que me lê? Além de ter um diploma, o que você fez aos oito e o que será aos oitenta?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115587280341699946?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115587280341699946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115587280341699946&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115587280341699946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115587280341699946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/08/crnica-n-5-o-que-voc-fez-aos-oito-e-o.html' title='crônica nº 5 - o que você fez aos oito e o que será aos oitenta'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115404638586034386</id><published>2006-07-27T21:25:00.000-03:00</published><updated>2006-07-27T21:27:37.646-03:00</updated><title type='text'>Crônica nº 04 -  “Você é filho de Maria Antonieta?”.</title><content type='html'>Penso em criar um alter ego. Chega de mim – desabafo. Estou encarando muito de frente este meu "eu" que não me aprova - isso me judia de certa forma, não dá para negar.  Preciso, para isso, de um nome curto, cujo rasgo sonoro dos fonemas atinja o ouvido de bate e pronto, (espirre aí para ver se me vem algo, vamos! )  Aliás, quase sempre, via de regra, os escritores , os bons, aqueles que fogem da mediocridade fordista de um Paulo Coelho por exemplo ,  criam personagens  à sua imagem e semelhança, e quando não são, observam seus habitats tal como  num ritual  diário .Pinçam bons sujeitos do mundo real e os transformam em história. A vida é o grande laboratório para a arte. E o inverso também vale. &lt;br/&gt; Fixo então na frase que Manoel Carlos, famoso escritor de novas da Rede Globo, comentou em recente entrevista à revista Imprensa: "a vida é um grande clichê e não há como fugir disso''. Penso eu que durante esses meus 20 anos de dias normais consegui experiências suficientes para dar risada desta afirmação.&lt;br/&gt;Visto assim de cima, de um Joelma ou Andraus, até parece um clichê; sempre um clichê prestes a ser incendiado. Imagino que ao coçar a sua barba de Spielberg, Maneco tentou justificar a repetição que há em suas histórias tomando como base algum conceito antropológico. Há o que chamamos de regras simbólicas: convenções presentes no senso comum de um povo que estabelecem uma forma de conduta. Mas isso definitivamente não torna a vida um clichê. Visto mais de cima ainda, numa visão de Atlas, percebemos que há algumas culturas semelhantes; gente que se junta pelas afinidades e pelas prenoções em comum. Mas a vida que tenho aqui, por exemplo, é inveropraticável (essa palavra foi eu que inventei) do outro lado do globo. Logo, a tese do novelista cai por terra pois no lá longe a vida é outra - nem melhor, nem pior e  se quer diferente. É vida e esse termo, a palavra em si, justifica. O que ele procura mostrar há tempos no horário das oito é uma fotografia da classe média, uma fatia do bolo e só. Pois sabemos: convém a Globo retratar essa visão fantasiosa da realidade  e tachá-la como clichê, manter no mais alto pódio a aristocracia verde e amarela.   E digo mais: confio mais nas traídas de Nelson Rodrigues, nos bêbados de Bukowski e nos loucos de Dostoievski. A vida torna-se um pasmo clichê se observada por gente que tende a levá-la como tal. &lt;br/&gt;Veja como as coisas podem se tornar diferentes. Imagine uma rotina rígida, massificada (esta é a minha).  Acordar, trabalhar, comer, estudar e dormir - tudo na ponta do lápis.   Ocorre, no entanto, que num dia desses um fato modificou a linha reta - em especial - uma linha reta e íngreme, a rua inclinada para cima que percorro todos os dias para trabalhar. Observado ali por uma senhora, dia após dia, uma senhora já com seus 45 anos presumo, decidiu me perguntar. Eu ouvia música em meus fones, tirei-os para ouvi-la melhor.. Aguardei a pergunta e ela veio: - você é o filho de Maria Antonieta? Ela complementou: - é que eu sempre vejo você passando por aqui e hoje eu resolvi perguntar - fiquei estagnado por alguns milésimos.  Eu, após uma pasmaceira, disse que não e montei um sorrisinho de emergência, sem graça como um risco de lápis. Ela me afirmou que eu parecia muito com a dita senhora. Deu-me um tapinha nas costas e um envergonhado "desculpa". Seguimos adiante, cada um para o seu lado. &lt;br/&gt; A vida não é um clichê - para o bem e para o mal. Teima na mente uma imagem que vi certo dia; uma família revirando o lixo da rua e a criança, um crioulinho raquítico de uns oito anos, gritando e se debatendo. Havia algum inseto lá no meio - não sei - que o machucou.  Mas parecia ferida na alma, doía até em mim.  Escatológico este nosso cotidiano, não? Nunca verei isto em novela, em filmete em cartaz, em nada. Vi e presenciei no mundo real, no plano da vida (mas continuo amando o cinismo do cinema). &lt;br/&gt;  A transgressão é a gasolina da novela; é o que choca, chama atenção e, consequentemente rende dinheiro e retorno aos patrocinadores. Este talvez seja o verdadeiro clichê: a persistência cega no que choca e no que gera lucro, aliada ao polimento comportamental que a  classe média quer aparentar  e ver . Sim, uma versão similar da vida, cuja encenação não provoque vômitos e gente tapando os olhos. Há pessoas - conheço várias - que tapam os olhos para o desagradável da vida. Bestas são, pois pense no quanto é rico esse botequim cheio de diversidades que é o nosso cotidiano. Como disse anteriormente, o mundo só vê a mancha.&lt;br/&gt; Entrego os pontos, gostaria de morar em Londres, confesso - toda aquela ambientação inglesa, uma certa arrogância até, as culturas, a música, o mizancene, enfim.  Abriria mão de muita coisa me proponho apenas a tolerar por esses lados. Mas não se trata de fuga, e sim, de melhora. Pois veja: o artista não deve se sentir feliz com o primeiro rascunho que faz. Este deve melhorar, pincelar aqui e acolá, viver para viver mais e melhor. E, ao partir para o lado de lá, perderei muita coisa por estes lados que lá não existirão. Coisas que gosto - o Brasil não é de todo um Jiló. Vida é, também, uma arte própria de inúmeras possibilidades.&lt;br/&gt;E porque penso em criar um alter ego? Prova feita: por que posso assim, inclusive, livrar-me  de  meus próprios clichês  e  ser outro - a  imaginação  permite! Uma outra vida para outro ser.  Serei então o filho de Maria Antonieta que nunca fui e me chamarei pela alcova de Asterisco. Posso? Posso! E eu aqui, posso viver para dar histórias ao Asterisco. Sem medo e sem Pedro, como diz o ditado.  Oscar Wilde em um de seus ensaios fez a seguinte  colocação  "o que é verdadeiro para a arte, é verdadeiro para a vida ". Sinto que isto está certo.  Não haverá paredes para a criação humana enquanto houver vida humana.  A arte é a cura para vida; uma cura que pode ter a tragicidade de um homem só e a felicidade de um garanhão de porta de boate. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115404638586034386?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115404638586034386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115404638586034386&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115404638586034386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115404638586034386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/07/crnica-n-04-voc-filho-de-maria.html' title='Crônica nº 04 -  “Você é filho de Maria Antonieta?”.'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115378770458503501</id><published>2006-07-24T21:29:00.000-03:00</published><updated>2006-07-27T18:55:46.260-03:00</updated><title type='text'>Psicodelia urbano-panfletária</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.tomze.com.br/images/cd1968b.jpg"&gt;&lt;img src="http://www.tomze.com.br/images/cd1968b.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Música, definitivamente, não nasceu para ser um panfleto de protesto. Aliás, reformulemos esta colocação: seres humanos não sabem protestar. Não neste regime que nos cerceia; não nesta cultura que nos controla. O protesto, assim sendo, é uma veia morta que todos nós temos. Mesmo assim, para o deleite de alguns velhos de fraque, sempre existirão teimosos com ranso e criatividade suficientes para transgredir uma época. &lt;strong&gt;Tom Zé&lt;/strong&gt; em sua mocidade tropicalista de 1968 concebeu esta obra, &lt;strong&gt;Grande liquidação&lt;/strong&gt;, e transgrediu uma época. Há uma frase - desconheço a autoria (será minha?) - que diz "quem é marxista aos 20 é um jovem, aos 40, um louco". Não sei se é verdade, não sei se é mentira; tanto faz, a discussão que paira por aqui é outra. O fato é que o musico nordestino - o mais paulistano dos nordestinos - aliado à ideologia da tropicália, transcendeu um momento chave da história de nosso pais.&lt;br/&gt;E como se transcende algo? Transgredindo? Também. Pensar no Brasil de 68, ano de AI - 5 e censura total à mídia e aos meios de imprensa, é transgredir, Qualquer ato digno nesta época é uma afronta ao sistema de regras. Pensemos então dessa forma. Seria este disco um libelo ao marxismo? Não há odes de exaltação a Karl Marx, deixe essa idéia de lado. Há uma essência toda irônica contra o consumista logo no título do álbum. E esse sentimento vive no decorrer das faixas. Em "curso intensivo de boas maneiras", &lt;strong&gt;Tom Zé&lt;/strong&gt;, num sarcasmo genial, dá a receita para se dar bem no plano cultural capitalista. Em "Não Buzine Que Eu Estou Paquerando " , música que trata o homem de negócios como um estorvo a uma paixão de meio de rua, o cantor trata também da relação de dinheiro entre a indústria farmacêutica e as epidemias de saúde presentes nesses novos tempos com um sambinha que diz assim: "A sua grande loja/Vai vender à mão farta/Doença terça-feira/E o remédio na quarta. ". Sim, de uma atemporalidade magnífica.&lt;br/&gt;Falemos de musicalidade. Poucas pessoas percebem, nunca ouvi ninguém se atentar a isto. O disco traz uma carga tremenda de psicodelia. Cabe, inclusive, fazer aqui abrir uns parênteses. Psicodelia nem sempre está relacionada ao uso de drogas. Pode até ser que Tom Zé tenha dado um "tapa na moleca" naqueles tempos de&lt;em&gt; flower power&lt;/em&gt;, mas isso não influiu na construção sonora das musicas. A palavra, tão somente o verbete cru do dicionário, nos transmite pelo menos duas idéias interessantes que muito dizem respeito ao artista Tom Zé. O Aurélio sugere: “Diz-se daquilo ou daquele que se distingue do meio tradicional, ou pela decoração, ou pela atitude, ou pela maquilagem, ou pela roupa, etc "e “relativo a, ou que se caracteriza por alucinações visuais, aumento de percepção e, eventualmente, comportamento parecido com o observado em psicoses.”&lt;br/&gt;Quando digo que este álbum tem uma orientação psicodélica, justifico também dando vazão aos arranjos maravilhosos e incrivelmente inspirados de &lt;strong&gt;Damiano Cozella&lt;/strong&gt; (o mesmo dos arranjos da fase psicodélica de Ronnie Von) e &lt;strong&gt;Sandino Hohagen&lt;/strong&gt;. Vale mencionar também as duas bandas de apoio presentes neste disco. &lt;strong&gt;Os Brazões&lt;/strong&gt;, excelente banda de sonoridade tropicalista cujo primeiro e único álbum também data 1968, e os desconhecidos – pelo menos para este que escreve - &lt;strong&gt;Os Versáteis&lt;/strong&gt;. Não só isso. Tem algo que é de grande mérito da tropicália. Falo da constante mudança de andamentos e formações melódicas que quase desnorteiam o ouvinte - vemos bastante isto na riqueza sonora dos &lt;strong&gt;Mutantes&lt;/strong&gt;. Difícil é saber quem influenciou quem. Há um elo de ligação muito tênue entre o debut da banda da Pompéia e do músico baiano. Identifico-os como filhos de um mesmo parto. Por exemplo: os versos "Meu sangue é de gasolina/correndo não tenho mágoa/meu peito é de sal de frutas/fervendo num copo d'água", presente no clássico mutante "2001", foi retirada de " ". Tom Zé pode, pois apenas migrou um petardo poético para outra musica, também de sua autoria, utilizando outro apelo. Em contrapartida, outra parceria envolvendo os dois nomes acabou sendo posta como retribuição num álbum de Tom em 1970. Trata-se de “qualquer bobagem”, grande música gravada anteriormente pelos cinco paulistanos  um ano antes.&lt;br/&gt;E aquele jeito alucinado de mendigo da Sé, marcante na forma de se portar do velho baiano - o mais paulista dos baianos, repito -. sempre comove. E o amor escancarado por São Paulo está evidente em músicas como "São são Paulo", faixa de abertura do disco e que ganhou o IV Festival Record de MPB de 1968. Na realidade, este retirante tem sim uma fascinação pelo urbano, pelo concreto cinza. Lembra assim, de soslaio, aquele troço que Adoniran Barbosa, celebre sambista, e que o Fellini, grande banda da cena paulistana dos anos 80, têm que até hoje eu não consigo copiar.&lt;br/&gt;E na verdade, o que temos neste &lt;strong&gt;Grande liquidação&lt;/strong&gt; é um rabisco da personalidade do criador - não é tipo. É, sim, uma inconveniência solicita comprovada na história contada antes do primeiro acorde de "Camelô" "danado pode dizê em disco, num pode?" - pergunta Tom Zé cinicamente aos censores da ditadura. Caetano e Gil não conseguem mais ser o que eram, Estes hoje usam fraque, foram corrompidos pelo poder e pelos bons cachês. O protesto é a veia morta dos homens. Para alguns outros - vejo assim - é a veia cômica, o motor sarcástico que sabe ferir a quem deve. E &lt;strong&gt;Tom Zé&lt;/strong&gt;, um performático da arte, nunca fez de seu protesto uma porta de banheiro.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Não costumo dar presentes. Aproveite meu bom humor:&lt;br/&gt;&lt;a href="http://rapidshare.de/files/19725786/TZGL.rar.html"&gt;http://rapidshare.de/files/19725786/TZGL.rar.html&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115378770458503501?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115378770458503501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115378770458503501&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115378770458503501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115378770458503501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/07/psicodelia-urbano-panfletria.html' title='Psicodelia urbano-panfletária'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115371145036857143</id><published>2006-07-24T00:22:00.000-03:00</published><updated>2006-07-24T00:24:10.376-03:00</updated><title type='text'>Versinho meio apressado</title><content type='html'>Gosto da transgressão que vem dos lábios&lt;br/&gt;Sugiro mais desta prece, que me fere&lt;br/&gt;E quando vejo tua imagem&lt;br/&gt;Acontece, sei lá, três febres&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Tá bom, necessito e nem sei &lt;br/&gt;Aconteço em tua prosa &lt;br/&gt;E nem falei no tal do amor!&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Note ao menos, poxa! &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115371145036857143?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115371145036857143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115371145036857143&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115371145036857143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115371145036857143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/07/versinho-meio-apressado.html' title='Versinho meio apressado'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115285009219868001</id><published>2006-07-14T00:58:00.000-03:00</published><updated>2006-07-20T17:34:59.736-03:00</updated><title type='text'>crônica nº3 - Um pouco de cada coisa soma um tanto ou a história da cobra que queria voar</title><content type='html'>O que difere, penso eu, não é escrever meia linha ou linha toda. Não é dizer "abracadabra" a cada ponto ou dois. Não é escrever a toda hora, vomitar de uma vez a história inteira. Escrever está para mim tal como uma fobia. Sim, leu certo, acho que tenho medo de sentir todas as coisas. Ler tudo que escrevo assim de repente; na cara, na coragem e no sufoco, me dá medo, sabes. E dissimular, fingir, não está previsto por ora.&lt;br /&gt;Há momentos que gostaria de escrever um livro em pé. Coisa fina; prefácio, posfácio e o diabo. Mas sabe, me falta calma. Não tenho tanta letra assim. Fico no conto das 40 linhas mesmo. Por enquanto, pois parece óbvio, à medida que cada palavra vem, um novo e melhor escritor se forme. Não teço este texto por desabafo; não o faço por sofreguidão. Tudo isso é introdução e você ainda não leu nada.&lt;br /&gt;Por volta do quarto ano, 9 ou 10 anos de idade, suspeito que tenha sido a grande virada da minha vida - mudei do nada, Peguei gosto pela escrita numa redação solicitada pela professora de português. Escrevi, então, "a história da cobra que queria voar". Ganhei um dez e a teacher, ingênua que só, nem percebeu que tratava-se de um plágio flagrante. o enredo é velho, mas teci da minha forma e do meu jeito - há algum mérito. E nada como um dez, não? A perfeição suprema, o impecável. Juntando-se a esse caso, ganhei poucas notas dez ao longo destes anos de vivência; os cinco dedos da minha mão direita cumpriria o papel de contá-los. Nunca fui - e se não inventarem o remédio anti-erro em tempo de me verem curado - serei sempre este imperfeito incorrigível.&lt;br /&gt;Sempre me pego olhando as pessoas a quem devo compartilhar o ar, dia após dia, no trabalho. Umas quase patéticas, bufonas de dar dó. Coloco sempre ênfase demasiada quando decido falar de trabalho e explico o porquê: não falo daquela coisa prazerosa, viver dá trabalho também, tudo dá trabalho. Mas o termo trabalho condiciona também o "bater cartão"; o "ligar pra lá’;a hora do almoço na ponta do cronômetro; a cultura da motivação, canalha por si só. Trabalho inventou uma doença: a frigidez. O homem, mesmo tendo próstata passou a ser frio. Assim, pensam, ele não erra. E a mulher que vejo agora, usando aqueles terninhos de brechó, tapou com rolha de cidra cereser a champagne francesa do sorriso. Ainda se fosse uma cara amarrada por protesto. Não é, te garanto. O ato de sorrir possui mil lados, muitos antagônicos. Pode tornar-se uma arma ironica, uma manifestação de desprezo. Desculpe, mas enquanto existir o capitalista, a gargalhada soberba se travestirá em arma.&lt;br /&gt;Ninguém erra aqui no mundo dos loucos, apenas eu e tenho dito. O erro, o prazer de dizer "me desculpa", deixou de existir após completar meus 11 anos. Com dezessete, época em que comecei a trabalhar, aprendi que errar pode se tornar um auto-atentado de terror ou coisa que o valha. Outra coisa também: tornou-se frente aos meus olhos o mecanismo de coerção mais pussilânime , mais nazista que tive que enfrentar. Me entrego: não gosto mais de futebol - fui há tempos atrás um grande fanático -,porém, cabe comentar hoje de forma sóbria e relacionar o que digo aqui com o caso da expulsão do jogador Zidane na final da copa do mundo na Alemanha. Observe como um erro, no fim de seu último ato como futebolista, serviu para que todos esquecam do gênio que foi com a bola nos pés. O mundo só vê a mancha.&lt;br /&gt;São quantas linhas mesmo? Disse quarenta, não? Sinto que irei extrapolar minha cota. Se bem que essa crônica do dia a dia está começando a transformar-se em memórias de uma vida toda. Gosto de revirar gavetas, inclusive as da minha cabeça. Me apegar a coisa velha, esquecida. Só que assim: tenho apenas vinte quilos alcatra por trás dos dentes; sou um jovem mancebo! Assim como Arnaldo Baptista perguntou um dia "será que vou virar bolor?", faço o mesmo, modificando um tantinho assim: será que eu já virei bolor? Me vem a cabeça aquela mulher do curso de inglês. Estava interessado em ter aulas de inglês - fui então para a escolinha mais próxima. Lá, ao ser consultado sobre minha idade, respondi, firme como um prego - vinte. Ela achou que eu tivesse mais- sei lá - uns trinta. Me senti o mais velho por trás daquela gravata - o mais velho do bairro.&lt;br /&gt;Volto àquela professorinha, a Malú da quarta série que me brindou com um dez. Como queria crescer rápido; e andar de carro; e namorar às da sétima! Tinha em mim uma ânsia claustrofóbica, nem sei, era uma espécie de lagarta no casulo, saindo, saindo...Falando de sorriso, lembro do jeito da Malú: falava sorrindo de um modo todo ordinariozinho. Até para dar bronca. Era a mesma no começo e no fim do mês, (pergunto eu: será que menstruava?). Soube montar meu cartaz perante a classe, lembro bem das palavras – que texto lindo, Michell! Que engodo, isso sim!. Modifico minha descrição. Malú tinha um rasgo na cara, feito por Picasso em duas pinceladas. Mas era uma figura colorida, tal como num filme de Almodóvar.&lt;br /&gt;E lá se vão nove anos, não? Logo, logo vem mais um ano a somar. Comemoro? Compro bombons?E você, merece meu bombom? O que me diz mesquinho! Avaro! Escreva na testa, “eu quero um bombom de Michell Niero”, assim eu darei. Afinal, faço vinte um na curva do mês que vem. E desde já engula teu desejo de felicidades,ou melhor, guarde embaixo da língua para dissolver aos poucos e morreres sofrendo. Mas não, não redundes mais, não requente no microondas o velho clichê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a tia lá da escolinha, será que ela menstruava mesmo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115285009219868001?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115285009219868001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115285009219868001&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115285009219868001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115285009219868001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/07/crnica-n3-um-pouco-de-cada-coisa-soma.html' title='crônica nº3 - Um pouco de cada coisa soma um tanto ou a história da cobra que queria voar'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115238674232940442</id><published>2006-07-08T16:22:00.000-03:00</published><updated>2006-07-10T09:23:34.603-03:00</updated><title type='text'>Homem de instante</title><content type='html'>Toma&lt;br /&gt;Assume e corrige!&lt;br /&gt;Não troca a conversa por tragos&lt;br /&gt;Não mata o assunto nos goles&lt;br /&gt;A morte não será amanhã&lt;br /&gt;A vida, pode ser que talvez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menino&lt;br /&gt;Não julga a falha em negrito&lt;br /&gt;Se em todas as fossas sozinhas&lt;br /&gt;Um querer não parece ideal&lt;br /&gt;Recusa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arruma&lt;br /&gt;Esquece da música lenta&lt;br /&gt;Esqueça de olhar só olheiras&lt;br /&gt;O espelho lhe dá outras coisas, irmão&lt;br /&gt;Não declina&lt;br /&gt;não mece demais os sapatos&lt;br /&gt;Nem julgue os outros do lado&lt;br /&gt;É vida (e a vida engole os dias)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai possuído,&lt;br /&gt;Nesse sono quebrado&lt;br /&gt;Pra quê averiguas os fatos!&lt;br /&gt;besteira!&lt;br /&gt;Bobagem!&lt;br /&gt;Enxuga esse trauma&lt;br /&gt;A madrugada é um insulto deitado&lt;br /&gt;Um pomar de mil mágoas&lt;br /&gt;Decida se têm&lt;br /&gt;Quatro anos ou cem&lt;br /&gt;Homem de instante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M.N&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115238674232940442?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115238674232940442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115238674232940442&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115238674232940442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115238674232940442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/07/homem-de-instante.html' title='Homem de instante'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115215298003971896</id><published>2006-07-05T23:24:00.000-03:00</published><updated>2006-07-06T00:13:37.386-03:00</updated><title type='text'>Trago boas e más notícias, Don</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/1600/foto0081c??pia.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/320/foto0081c%3F%3Fpia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Voltei a cuidar de meus velhos trapos. Como preciso de um feriado! E de trapos novos! É tempo de olheiras, eu sei. De que forma, diz pra mim, qual é a solução para que eu, assalariado por necesidade, viva tão somente de arte, e pela arte? Besta é quem pensa nessa possibilidade. Acho que sou um bestalhão desses. Precisaria, para tanto, de um pai que me bancasse, de uma caixa forte no quintal dos fundos. Ou uma ama de leite, com muito leite. Não faz-se o caso. Trabalhar para explorar as potencialidades. Bobagem. Russeau levou uma vida para pensar nisso e olha só no que deu?. Em mim!&lt;br /&gt;Aonde quero chegar? Simples: mesmo com tanta falácia bonita por entre os cantos, por mais que eu mostre ser mais - dia após dia -, concluo que a necessidade do dinheiro nesta vida biruta me faz sentir um pouco acima de um contínuo. O resto é ilusão, fetiche, confete. E não quero revolucionar, já te digo de início. Não sou de bagunçar o coreto. Nunca fui, oras.&lt;br /&gt;Trago boas e más notícias, Don. As boas, são as de sempre. As piores, são as de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;obs - O nome desta postagem é uma homenagem a um dos grandes grupos da cena paulista de rock dos anos 80: Akira S e as garotas que erraram. Refere-se ao nome de uma das grandes músicas do grupo, de nome homônimo. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115215298003971896?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115215298003971896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115215298003971896&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115215298003971896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115215298003971896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/07/trago-boas-e-ms-notcias-don.html' title='Trago boas e más notícias, Don'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115192079833799124</id><published>2006-07-03T06:52:00.000-03:00</published><updated>2006-07-03T16:46:13.223-03:00</updated><title type='text'>Los Álamos: a reação química</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/1600/1642.2.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/320/1642.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Engraçado. Mesmo dado a uma paixão lasciva, panaca até, pela boa música (perdoa amor), veja só: quantas resenhas, quantos “o que estou ouvindo”, enfim, quantos odes aos bons sons desfacelei desde 20/06/2006, data de fundação desse blog maldito? Adoro ser maldito, sabes, porém respondo - não precisa pensar. Nada, niente, nothing, porcaria nenhuma.&lt;br /&gt;Pois então vou eu, neste segundo dia de julho, cheio de pressa (falta pouco para a minha desgraçada volta os afazeres de uma área de faturamento...), escrever um pouco sobre essa banda de sotaque portenho. Jogam no ar muito reverb e delay; e quando decidem virar o disco, enfrentam uma sonoridade acústica que é um mistão roceiro de &lt;strong&gt;Kinks&lt;/strong&gt; com &lt;strong&gt;Bob Dylan&lt;/strong&gt;. Se jogasse o Los Álamos - banda da vez - no jogo de cartas, estes seriam os curingas do novo rock.&lt;br /&gt;Fato foi: na matéria publicada na versão capenga da histórica revista Bizz de uns meses atrás, intitulada “vinte e seis coisas realmente interessantes do novo rock” (coisa do tipo, perdoa as aspas, mas a crítica não), os rapazes de lá já visionaram a esperteza deste grande blogger e citaram na frente deste que vos escreve os méritos do conjunto. São bons mesmo, e argentinos. Sim, a esperança da América latina.&lt;br /&gt;No disco chamado “no se menciona la soga en la casa del ahorcado”, debut dos Alamos, vê-se claramente uma interferência de anos sessenta, visto parece, por um britânico bitolado dos anos 90.. E isso é bom, a jogada flui, pois veja só: na primeira faixa “asiento trasero”, me deparo com um &lt;strong&gt;Belle &amp; Sebastian&lt;/strong&gt; de “the boy with the arab strap” com vocais estupidamente gelados. Dá certo? Sim, funciona belissimamente. O vocalista lembra do passado, canta com frases curtas a criancice que passou; nome de música em espanhol com letra em inglês, que engraçado. A música cresce, as guitarras se cruzam e num momento sem aviso, a música cessa. A faixa 02 vem então, já com meu selo de aprovação estampado no rosto.&lt;br /&gt;Coragem é ter um bandolinista, integrante oficial da banda nesses tempos de ploc, plocs modernos do chamado hype; são regressistas sabe, não procuram nada do que por ventura existiu um dia. O chacundum deles é outro; são primos tristes do &lt;strong&gt;The coral&lt;/strong&gt; e irmãos sujos dos já citados &lt;strong&gt;Belle &amp;amp; Sebastian&lt;/strong&gt; Mas têm estilo. Jogam baixo para arrecadar alto. Nunca tocarão numa pista de dança, presumo. Não nas de hoje Estão mais para um lounge cheio de feno.Será que os anos 90 voltaram a estar na moda? Sei não...&lt;br /&gt;Eu adoro esses hermanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiba mais, dados idiotas e coisa que o valha, no sítio oficial deles:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.lostalamos.com.ar/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115192079833799124?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115192079833799124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115192079833799124&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115192079833799124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115192079833799124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/07/los-lamos-reao-qumica.html' title='Los Álamos: a reação química'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115172502834142954</id><published>2006-07-01T00:37:00.000-03:00</published><updated>2006-07-05T08:35:25.523-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/1600/velha%20novembro%2005.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/320/velha%20novembro%2005.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;"Meu tempo é quando"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Vinícius de Moraes&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Sobre a foto: tirada neste ano, num desses sub-mundos da Lapa. A Lapa pobre de Sp.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115172502834142954?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115172502834142954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115172502834142954&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115172502834142954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115172502834142954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/07/meu-tempo-quando-vincius-de-moraes.html' title=''/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115172471285463410</id><published>2006-07-01T00:28:00.000-03:00</published><updated>2006-07-02T23:13:19.556-03:00</updated><title type='text'>crônica nª2 -  O homem estrambólico e a geladeira</title><content type='html'>Vinte passos tropeçados. A maior atração da vila corta a esquina  para mais um destino indefinido. Andam pra lá e pra cá e não se decidem. O homem segura com braços rijos sua maior conquista  Ele já se acostumou com a velha ferraria: é bela, descongelante  e acende automaticamente - modelo antigo, mas atraente. Há tempos atrás  tomou algumas esfoladas de um Fusca parado sobre a guia, um trauma daqueles  para o dedicado homem estrambólico. Ele acha que às vezes  sua companheira é um bocado frigida e tende para uma indiferença vil, justamente nos momentos em que  o amor toma de ataque seu coraçãozinho. Mas isso ele vai levando. E tudo acaba bem quando, na volta do passeio, o motorzinho possante da geladeira volta a soltar suas faíscas no canto mais precioso da casa amarela. Um alivio.&lt;br /&gt;Preciso confessar uma coisa. Sempre quando via o casal esticando as pernas achava-os bem cafonas para tempos tão túrgidos como esses. Mas eis ai a prova de que o amor  rompe fronteiras e transgride. O homem enfermeiro da rua de baixo pensa na hipótese insensata e crê piamente que nosso amigo estrambólico sofre de alguma mal nos macaquinhos do sótão. Que bobagem, queria eu ter uma conversa franca e esclarecedora com esse equivoco vestido de branco. Ninguém mais precisa de médicos nesse bairro que esse louco aplicador de injeções à baixo custo. Defendo a união do casal, pois acredito que há algo muito maior por trás desse affair. Numa dessas espiadas pela janela, vi uma cena chocante que encheu meu coração de sentimentos tenros e  aprazíveis. O dono da loja de bebidas não deixou-os  entrar no estabelecimento dele. Motivo? Pouco importa, o que mais valeu foi a generosidade de nosso amigo que, importuno pela  negativa ouvida,  abriu mão de um bom trago matinal  pela companhia maciça  de sua companheira na praça cheia de pombas e raios UV. E ali ficaram, os dois parados, pensando na vida que os aguarda. E que vida será essa?&lt;br /&gt;As segundas intenções não tardaram desde quando nosso rapaz estrambólico descobrira o real motivo da existência ao saborear mais um de seus picolés de menta. O sabor  preferido dele, por sinal. Era assim, na tarde quase caindo e no sereno quase chegando, que ele se divertia. Caçava escabrosamente  alguma gripe espanhola naqueles 20 centímetros de massa verde e fria. Era um hábito, vale-se dizer, e ao término de seu acepipe, conduzia o rostinho tristonho para sua casa amarela. Lá, ligava a TV, só por esporte, e se acaba ali pelo sofá mesmo. Os quadros do quarto/sala eram achados e disso ele se gabava muito. Haviam ali verdadeiras preciosidades que receberam prêmios de curadores  e museólogos  de todo o mundo  mas que, após uma entre safra de tendências artísticas, ganharam a marginalidade dos becos sujos da minha vila. O desenho abóbora era o mais interessante. Uma abóbora, laranja e grande. Uma abóbora.&lt;br /&gt;Foi numa dessas buscas pelos entulhos valiosos da cidade que apareceu a  sua Monalisa. Tinha um metro e cinqüenta e dois de altura, quarenta e nove imãs decorativos e um corpanzil de trancar avenida . Sua dona a magoou profundamente por uma troca repentina, por outra horizontal e com vidro mostrador na porta. Estava na completa sargeta e nosso rapaz estrambólico trouxe a ela novamente os prazeres da vida novamente.&lt;br /&gt;Mas voltando ao picolé. De principio havia apenas uma relação servil entre os dois. Um “pede  que eu faço” sem qualquer afetividade. Demoraram cerca de 46 picolés baratos de menta para a ficha cair. A geladeira, recém instaurada a sociedade, era o armazém desses alimentos de baixo valor mercadológico, tão visados pelo nosso personagem. As gripes espanholas nunca vieram, os descongestionantes  nasais comprados jamais foram usados; o estalo apareceu quando, numa dessas fúrias corriqueiras no terreno cheio de lixo,  percebera que sua vida devia ter algum sentido e que, se ele hoje está vivo nesse frio de outono, muito se deve a sua geladeira amiga. Afinal de contas, se não fosse pela falta de interesse por parte dela, pela manutenção da temperatura dos picolés verdes, hoje não haveria história a ser contada. O homem estrambólico vive graças a inutilidade de sua companheira.&lt;br /&gt;E isso é amor!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115172471285463410?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115172471285463410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115172471285463410&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115172471285463410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115172471285463410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/07/crnica-n2-o-homem-estramblico-e.html' title='crônica nª2 -  O homem estrambólico e a geladeira'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115154918806673253</id><published>2006-06-28T23:46:00.000-03:00</published><updated>2006-06-30T21:29:31.700-03:00</updated><title type='text'>CITTÀ PIU BELLA</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/1600/esta????o"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/400/esta%3F%3F%3F%3Fo%20julio%20prestes.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/1600/esta????o"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/1600/esta????o"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/1600/esta????o"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Cadão Volpato e Thomas Pappon&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(Canção gravada pelo Fellini para o álbum "amor louco", de 1989)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;a mais longa noite do mais&lt;br /&gt;branco dia&lt;br /&gt;per una città piu bella&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a sombra o bonde a&lt;br /&gt;janela aberta&lt;br /&gt;per una cittá piu bella&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o padre voa numa bicicleta&lt;br /&gt;per una città piu bella&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a garça na ilhota do rio tietê&lt;br /&gt;per una città piu bella&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;città piu bella&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;edifícios velhos sendo&lt;br /&gt;construídos&lt;br /&gt;per una città piu bella&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você passa ao largo dos&lt;br /&gt;escrementos&lt;br /&gt;per una città piu bella&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o vento descobre ouro nos&lt;br /&gt;calçamentos&lt;br /&gt;per una città piu bella&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;morte ao prefeito por&lt;br /&gt;enforcamento&lt;br /&gt;per una città piu bella&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;città piu bella&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a gente se encontra atrás&lt;br /&gt;do cemitério&lt;br /&gt;per una città piu bella&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um tiro de cuspe do seu bairro&lt;br /&gt;ao centro&lt;br /&gt;per una città piu bella&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a estrela vermelha ouve o meu&lt;br /&gt;lamento per una città piu bella?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jogando bilhar na venda&lt;br /&gt;de u galego&lt;br /&gt;per una città piu bella&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Sobre a foto: Vista externa da estação Júlio Prestes, em São Paulo, tirada por mim em idos do mês de junho de 2006.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115154918806673253?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115154918806673253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115154918806673253&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115154918806673253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115154918806673253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/06/citt-piu-bella.html' title='CITTÀ PIU BELLA'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115141001226652910</id><published>2006-06-27T09:06:00.000-03:00</published><updated>2006-07-02T23:39:25.690-03:00</updated><title type='text'>camera subjetiva, o poema</title><content type='html'>Minha idéia de hoje é mais ou menos essa. Momento baixos teores de uma terça-feira pela manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja se não é bolero &lt;br /&gt;Esse seu rasgo estúpido&lt;br /&gt;Olhe para mim oras!&lt;br /&gt;De sorrisinhos, já basta!&lt;br /&gt;Chega, saiba:&lt;br /&gt;já extrapolou o clichê&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coloca agora&lt;br /&gt;Nas pressas de teu súbito &lt;br /&gt;A vontade de me ver, de me ter&lt;br /&gt;E vício também é vontade&lt;br /&gt;Então vicia e roda a roleta!&lt;br /&gt;E distribui os valetes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venha,&lt;br /&gt;meu rosto não tem prefácios&lt;br /&gt;Passa da capa e veja-me&lt;br /&gt;Escuta-me, leia-me&lt;br /&gt;Uma imensidão de acasos&lt;br /&gt;Tudo junto, &lt;br /&gt;formo o que chamo&lt;br /&gt;de uma multidão chamada EU  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morto não ressucita&lt;br /&gt;A virgem se desabrocha&lt;br /&gt;Não rebobino fitas&lt;br /&gt;Nem vem&lt;br /&gt;Nem corto em fatias&lt;br /&gt;Nem em cubinhos, &lt;br /&gt;engula seco, diabo!&lt;br /&gt;Ofereço-te o meu jeito&lt;br /&gt;Minha vida&lt;br /&gt;e minha forma de comtemplar&lt;br /&gt;A camera subjetiva da vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115141001226652910?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115141001226652910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115141001226652910&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115141001226652910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115141001226652910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/06/camera-subjetiva-o-poema.html' title='camera subjetiva, o poema'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115138785359533032</id><published>2006-06-27T02:39:00.000-03:00</published><updated>2006-06-28T04:30:58.786-03:00</updated><title type='text'>Tauromaquia</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/1600/matador2.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 231px; CURSOR: hand; HEIGHT: 181px" height="151" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/320/matador2.jpg" width="202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/1600/matador.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 374px; CURSOR: hand; HEIGHT: 199px" height="199" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/320/matador.jpg" width="375" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste filme de &lt;strong&gt;Almodóvar&lt;/strong&gt; (1986 foi um ano fácil para ele), o sexo, a tourada e a morte. Entrelaços atuantes que se unem a Madrid – a sempre Madrid de seus filmes –, e a um surpreendente Antonio Banderas em início de carreira. &lt;em&gt;Matador&lt;/em&gt; é um dos melhores filmes do cineasta - na opinião deste que escreve, o melhor. Além de ter todas as marcas Almodovorianas; batom vermelho, muito vermelho, gente vivendo pelos passos do dia-a-dia, destinos que se encontram, a velha - sempre nova - birra com a igreja católica, a busca pela sensibilidade masculina, &lt;em&gt;Matador &lt;/em&gt;consegue ser isso e mais um pouco.&lt;br /&gt;A obra precede o &lt;em&gt;boom&lt;/em&gt; em “mulheres a beira de um ataque de nervos”, de 1988, cine que o levou para os holofotes. Este, no entanto, procura uma pretensão de filme inglês, fala mais baixinho que os de hoje. E funciona, porque não. É meio suspense, trama fragmentada como sempre são os filmes dele; um junta aqui, coloca ali.&lt;br /&gt;Angel, um aprendiz na arte de tourear e integrante de uma conservadora família católica, é acusado pela morte precedida por estupro de quatro mulheres. Pior é: ele confessa e diz “fui eu”. Houve sim um motivo. Ele de fato tenta estuprar a mulher de seu professor, numa suposta tentativa de auto-afirmação de sua masculinidade em xeque. Entre ser levado a uma psicóloga (vontade de Angel) e recorrer à ajuda de um padre, a família fica com a segunda. Eis aí o primeiro mote que cerceia o destino da personagem. O jovem toureador sente um remorso trágico ao deparar-se com a frieza do padre e se entrega à delegacia mais próxima.&lt;br /&gt;Aparece uma advogada, bem intencionada parece, predispondo a defendê-lo neste processo. Ocorre o primeiro encontro casual (mais para causal, assista e comprove) em &lt;em&gt;Matador&lt;/em&gt;. Do outro lado está o professor de Angel, famoso na arte da Tauromaquia, chamado Diego. Numa dessas, encontra a advogada – Maria é o nome dela. Um tórrido caso de paixão floresce. O fascínio pela morte, comum entre ambos, mistura-se com o torpe desejo pelo sexo. O amor, do outro lado, abraça-se na figura da traída. Não ligando para o ato, a esposa de Diego tenta de todas as formas a reconquista, mesmo sabendo da existência de uma outra na sua vida.&lt;br /&gt;Curiosa é a participação do próprio cineasta atuando. Ele faz uma ponta inédita assumindo um estilista, cheio de recalques, cuidando da produção do desfile da mulher traída, que é modelo de profissão.&lt;br /&gt;Entenda &lt;em&gt;Matador&lt;/em&gt; como um &lt;strong&gt;Almodóvar&lt;/strong&gt; que procura dilacerar todas as influências da pátria mãe. Busca acenar para conexões censuradas dentro da cultura espanhola: Tourada, paixão, sexo e morte. Em contrapartida, traz também o eco conservador que domina este povo. Tal como um Nelson Rodrigues – aliás, se pode fazer muitas conexões entre as obras dos dois -, recorre a família conservadora, guiada pela religião. Busca nisso a derradeira verdade: a burra aparência. E por fim, a figuração do machismo latino, aquele machismo que ataca o próprio homem em busca de identidade. O sensível e o cru; o branco e o vermelho; o amor e a morte, visto ao mesmo tempo às vezes. &lt;strong&gt;Pedro&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Almodóvar&lt;/strong&gt; fez de Matador um dicionário deliciosamente paradoxal. Pois é, seja assim: porque devemos ser tão fáceis de entender, afinal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Assistido no dia 24/06 do ano de 2006&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115138785359533032?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115138785359533032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115138785359533032&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115138785359533032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115138785359533032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/06/tauromaquia.html' title='Tauromaquia'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115137432357080081</id><published>2006-06-26T23:12:00.000-03:00</published><updated>2006-06-27T01:48:21.110-03:00</updated><title type='text'>Telematique around the clock</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/1600/capa%20telematique%202.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/320/capa%20telematique%202.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Minha cria eletrônica: &lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;TELEMATIQUE&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;Abaixo, a mais nova canção, intitulada "Casiotone sessions"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rapidshare.de/files/24225517/Telematique_-_casiotone_sessions.rar.html"&gt;http://rapidshare.de/files/24225517/Telematique_-_casiotone_sessions.rar.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ouça. pule, opine e se divirta.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115137432357080081?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115137432357080081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115137432357080081&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115137432357080081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115137432357080081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/06/telematique-around-clock.html' title='Telematique around the clock'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115095918232793090</id><published>2006-06-22T03:53:00.000-03:00</published><updated>2006-06-27T01:49:43.210-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/1600/velhinhos%20jogando%20baralho.7.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2626/3206/320/velhinhos%20jogando%20baralho.5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Vês! Ninguém assistiu ao formidável&lt;br /&gt;Enterro de tua última quimera.&lt;br /&gt;Somente a Ingratidão - esta pantera -&lt;br /&gt;Foi tua companheira inseparável!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acostuma-te à lama que te espera!&lt;br /&gt;O Homem, que, nesta terra miserável,&lt;br /&gt;Mora, entre feras, sente inevitável&lt;br /&gt;Necessidade de também ser fera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toma um fósforo. Acende teu cigarro!&lt;br /&gt;O beijo, amigo, é a véspera do escarro,&lt;br /&gt;A mão que afaga é a mesma que apedreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a alguém causa inda pena a tua chaga,&lt;br /&gt;Apedreja essa mão vil que te afaga,&lt;br /&gt;Escarra nessa boca que te beija!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Versos íntimos",&lt;/em&gt; do fantástico Augusto dos Anjos. Um dos mais belos poemas já escritos em língua portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foto tirada por mim na estação da Lapa em São paulo, dia 20/06.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115095918232793090?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115095918232793090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115095918232793090&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115095918232793090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115095918232793090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/06/vs-ningum-assistiu-ao-formidvel.html' title=''/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115079401267012876</id><published>2006-06-20T06:00:00.000-03:00</published><updated>2006-06-22T03:56:44.086-03:00</updated><title type='text'>crônica nº1 - Loja de prateleiras</title><content type='html'>Nunca, ninguém – repito - nunca ninguém me viu chorando pelos cantos, amolecido pela circunstância. Faça o meu favor! Prefiro o ócio! Ao contrário de uns por aí. Bom, vamos aos fatos, odeio gente, e a falta delas também. Confesso que nunca esqueci dos tropeços de certas pessoas, - e nem dos teus, humano infame que me lê! Começo grosseiro, hediondo, taciturno, pois iniciarei o improviso de palavras desta hora. Estas tentam fugir, mas eu as puxo; vá lá, perder uma história destas? Não posso, e sendo odioso facilita as coisas. &lt;br /&gt;Lá pelo instante máximo: tarde de Sol, clima ameno, céu azul. Junto a essa amostra perfeita há o que penso. Tenho uma garota na cabeça, confesso (que não é a de agora). Visto, após minha perda nas apostas, um cérebro humilde. Penso em planos miúdos, prateleiras, porque não? Colocaria, assim, meu habitual exposto num quarto: livros, discos, filmes, ótimo. Hábito é o fim medicinal de uma droga chamada rotina. &lt;br /&gt;Acontece que nesta ocasião, sedento por motivação, ouriçado pelo trabalho que não age bem em mim (estou de saco cheio, imagine), penso em ouriçar meu tino para o consumo. Fiz assim: fui até a loja grande – vende de tudo, tem que ver -, assumi o carrinho de supermercado e adentrei-me. Lá pelas tantas, seis horas no relógio, estava lá eu, um boçal comigo mesmo. Explico-lhe, com muita satisfação até, o porquê desta auto-ofensa lá na frente.  &lt;br /&gt;Comando o carrinho com o rigor de um velho. Lembro da infância, de quando acompanhava meus pais nas compras. Antes era mais vigor do que rigor, isso é certo. O carrinho do mês sempre tinha minhas bolachas, um arroz - sempre – e o café. O resto, bem, variava de acordo com o humor e o dinheiro, sempre escasso. Mas era bom, digo até mais, estimulante aquele cursinho capitalista. Talvez, sem este estimulo lá no passado, não estaria jovem rapaz, Karl Marx ao contrário, dentro desta grande loja, comandando um magrelo e vazio carrinho de supermercado. Eram seis da tarde, sublinho isto, pois pense comigo: na TV, nos sete canais abertos que consigo sintonizar em casa, nada; nas salas de cinema; nos amigos; nas aulas da faculdade; nos professores que não gritavam meu nome na chamada; então, não tinha mesmo o que fazer. Era muito prematuro também aceitar a morte, e minha camisa social está molhada de suor, faz Sol, (falo no presente pois imagino tudo como num delírio, tudo aconteceu “hace tiempo!”). &lt;br /&gt;Como saber que não estava num necrotério? Difícil. Sinto estar num grande vácuo. A cada passagem, por entre estantes, grandes aglomerados de material para construção – tudo aquilo cujo minhas posses e minhas ausências sintomáticas de planos e bem me queres não permitiam -, dizem a mim “saia daqui homem!”. Na trilha, música de fundo, uma Alpha Fm que me fazia triste por ora - arquitetava a ação do choro ou coisa que o valha. Mas não. Fui para lá e para cá, sem muito interesse naqueles artigos. Os velhinhos, agora vejo aonde fui me meter -, eu estava num baita programa destinado à terceira idade do meu bairro E eu, ora, um jovem de 19 quilos de alcatra... O sentimento abjeto me desce: agora e de uma vez. &lt;br /&gt;Esfrego os olhos como se visse uma miragem. Veja homem, aonde você foi se meter! Não creio, não creio, mas estou ainda procurando prateleiras. E quanto mais ando, quanto mais seções passam, o carrinho range um som de masmorra. Estou perto da lastima de se sentir assim, um alvo móvel da morte. Parênteses: aquela agora, menina tão bela e erudita, tão bem lá longe; quem diria, hoje mudou tudo. Que coisa mais gozada. Mas voltando a história, não sei se choro, estou mais para o grito que para o urro. E não gritarei. Não sei, mas visto de longe, assim, num close final de filme noir, um aspecto velho não? Sinto-me um asmático. Envergo a postura como quem carrega um peso. Não há, claro, nada visível acima de minha nuca. Seja simbólico – eu mesmo me convenço disto -, tudo bem. Isto é certo: carrego a tonelada dos dias, dos fracassos e de um bocado de injúrias. Quantas léguas andei, nem sei. Vem um – sempre vêm – e me diz. Tu sofres do mal da inoperância rapaz – não digo nada. Aquilo entra, palavra, insulto, que seja; passo a ser um conduzido por esta reflexão vil. Mas se tudo dá certo hoje - muita coisa mudou, repito -, penso em agradecer primeiramente aos meus pés e não aos conselhos. Meus pés e minhas pernas deixaram-me ereto aos fatos. Imagine só, um orangotango escritor de resenhas, o que seria? Hoje, tenho orgulho de fora para dentro; sou jornalista de meios extremos; um calhorda de próprio rascunho. &lt;br /&gt;Nesta ocasião tive a reflexão no chiado das rodas de um carrinho de supermercado. Elas sempre fazem barulho, sabia disto? O desagradável só vem à tona quando não há gente murmurando ao seu lado num supermercado cheio, daqueles de dia 05, sabes?  Ouvi atento o som neste dia. Me vi sozinho demais. Pensei certo, concluo. Instalar uma vivência sozinha funciona, sim, não há nada de inviável nisso. Mas sabe, pensei bem; se estivesse com alguém no meu certame, ali, ao meu lado nesta hora, teria tido uma tarde feliz. As prateleiras estariam penduradas em minha parede, carregando histórias, músicas e cenas – como queria afinal de contas.  E lembro, era fim de março – não sei bem ao certo, mas era. Fui embora fugido de mim mesmo. Não era para ter sido um rasgo do destino assim tão drástico. Rasguei meu caminho em dois e optei pela via nova. E foi bom, pois, noutro dia, num daqueles muitos sem ter o que comemorar, aquele homem, que era eu, cheio de receio, enviou um flerte sem querer. E ela, sem saber, mudou a história do homem. O caminho que transformei em dois, em pouco tempo viu-se rompido em quatro passagens diferentes. Escolhi uma delas e aqui estou.&lt;br /&gt;Não ouço mais o trilhar das rodas do carrinho. Prometi a mim mesmo não entrar mais na grande loja. Acho que é blefe, (logo, logo estarei lá). Aquele plano excêntrico de comprar prateleiras ainda resiste. Tenho mais coisas: registros, retratos para serem colocados à exibição em meu quarto. Prateleira, essa tábua infame!. Me sinto bem; escrevo na madrugada perto de meus 21 e tenho um alguém ao meu lado falando pelos cotovelos, evitando, inclusive, o ranger do carrinho no chão da loja. Mil léguas depois e olha só quem pregou peças. Memória amiga, nada mais de efemérides por hoje. &lt;br /&gt;Fecho o livro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115079401267012876?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115079401267012876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115079401267012876&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115079401267012876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115079401267012876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/06/crnica-n1-loja-de-prateleiras.html' title='crônica nº1 - Loja de prateleiras'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29978014.post-115079244900484224</id><published>2006-06-20T05:30:00.000-03:00</published><updated>2006-06-20T06:17:21.693-03:00</updated><title type='text'>Um escritor de palavras cruzadas</title><content type='html'>Atimo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não busco o tino prático&lt;br /&gt;A verve óbvia, de estalo ameno&lt;br /&gt;Estaria assim retido&lt;br /&gt;No fosso, no quarto, no raso&lt;br /&gt;Encuco e crio pragas&lt;br /&gt;De anti-menos, anti-pouco &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefiro a face esdrúxula&lt;br /&gt;E comparar a Lua &lt;br /&gt;A fase humana do ser instante&lt;br /&gt;Eu crio, cito palavras&lt;br /&gt;Veja a volta que dá!&lt;br /&gt;E mesmo em cólera&lt;br /&gt;Com voz de espada &lt;br /&gt;Encharco os olhos&lt;br /&gt;Respinga o medo, mas não molha&lt;br /&gt;O ato não desanda assim com gotas&lt;br /&gt;A palavra vem, contínua, a mão concede&lt;br /&gt;E a vida sem falar parece conto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ode aos vigários espertos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____________________ e bem vindo ao meu blog&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29978014-115079244900484224?l=camerasubjetiva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/feeds/115079244900484224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29978014&amp;postID=115079244900484224&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115079244900484224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29978014/posts/default/115079244900484224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camerasubjetiva.blogspot.com/2006/06/um-escritor-de-palavras-cruzadas.html' title='Um escritor de palavras cruzadas'/><author><name>Michell Niero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07461539475509028582</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://images3.orkut.com/images/milieu/6/579/4567579.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
